Lula quer brecha no Arcabouço Fiscal para investir em Defesa
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Governo Lula estuda nova exceção no Arcabouço Fiscal para investir em Defesa

Comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica batem continência para Lula e Múcio, ministro da defesa
Comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica batem continência para Lula e Múcio, ministro da defesa

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Por Redação

Diante do aumento das tensões geopolíticas, o presidente Lula e seus ministros estão considerando uma nova exceção ao arcabouço fiscal para destinar R$ 30 bilhões em investimentos para as Forças Armadas ao longo de seis anos. As informações são da CNN Brasil.

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A proposta, ainda em fase de discussão, visa modernizar o Exército, a Marinha e a Força Aérea Brasileira (FAB) e pode ser uma alternativa à PEC 55 — proposta que garantiria anualmente 2% do PIB às Forças Armadas, atualmente parada no Senado.

O assunto foi debatido de forma reservada entre Lula e os ministros Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda) e José Múcio (Defesa). A ideia seria enviar um projeto de lei complementar ao Congresso para retirar o valor do limite de gastos.

A discussão ganha força em um contexto de sucateamento e atraso em programas estratégicos de defesa. A FAB já indicou que a entrega dos caças suecos Gripen NG, prevista para 2027, foi prorrogada para 2032. Dos 36 caças contratados, apenas 16 deverão chegar no prazo inicial, devido à insuficiência de verbas.

No Exército, o programa Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras), que busca vigiar quase 17 mil quilômetros de fronteiras, teve seu cronograma de conclusão adiado de 2021 para 2039. Menos de 30% do projeto foi executado, e o investimento necessário de R$ 15 bilhões ainda está longe de ser alcançado.

A Marinha, por sua vez, enfrenta desafios para manter o cronograma de desenvolvimento do primeiro submarino nuclear brasileiro. O orçamento atual, de cerca de R$ 2 bilhões anuais, é considerado insuficiente para lançar a embarcação até 2035, o que exigiria um aporte adicional de pelo menos R$ 1 bilhão por ano. Além disso, a Marinha desativará 43 embarcações até 2028, cerca de 40% de sua frota, sem garantias de reposição.

A equipe econômica reconhece a necessidade de mais investimentos em defesa, mas sugere contrapartidas, como o avanço da reforma do sistema de proteção social das Forças Armadas e o fim da “morte ficta” (pagamento para famílias de militares expulsos ou condenados por crimes). Essas medidas estão paralisadas no Legislativo.

Se aprovada, esta seria a sexta exceção às regras do arcabouço fiscal em menos de três anos. As exceções anteriores incluem o pagamento de precatórios, gastos com as inundações no Rio Grande do Sul, ressarcimento de vítimas de fraudes no INSS, combate às queimadas e incentivos a empresas prejudicadas pelo tarifaço dos EUA.

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