O empresário Luciano Hang, dono da rede Havan, se manifestou nesta quinta-feira (5) após ser declarado inelegível por oito anos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A decisão, proferida em abril pelo ministro André Ramos Tavares e confirmada na segunda-feira (2), aponta abuso de poder econômico durante o período eleitoral de 2020.
Segundo a sentença, Hang participou de um evento em Santa Rosa (RS) dias antes das eleições municipais, onde anunciou a instalação de uma nova unidade da Havan. O ato teve presença do então candidato à reeleição, Anderson Mantei (PP), e do ex-prefeito Alcides Vicini (PP). Para o TSE, a cerimônia “extrapolou os limites da atuação permitida em período eleitoral”.
Recentemente fui declarado inelegível por oito anos por decisão individual do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Ramos Tavares.
Em 2020, durante uma viagem a trabalho para visitar terrenos em Santa Rosa (RS), com o objetivo de construir uma megaloja, tive a…
— Luciano Hang (@LucianoHangBr) June 5, 2025
A ação foi movida após as eleições pela coligação União do Povo por Santa Rosa (PT, PCdoB, PL e PDT). Apesar de reeleito, Mantei também foi declarado inelegível até 2028, assim como Vicini.
Em rede social, Hang disse que a condenação teve origem em uma visita de trabalho à cidade, quando avaliava terrenos para a nova loja. Ele afirmou que, durante a visita, encontrou um candidato e gravou um vídeo. “A decisão foi baseada nesse fato”, escreveu.
O empresário atribuiu a ação a partidos de esquerda e criticou a decisão do ministro por desconsiderar decisões anteriores que reconheciam seu direito à manifestação política. “O ministro desconsiderou todas as decisões anteriores sobre o caso, que haviam reconhecido o meu direito de se manifestar politicamente, dentro das garantias constitucionais da liberdade de expressão”, escreveu.
A defesa de Hang afirma que não há lei que proíba empresários de se manifestarem durante o período eleitoral. “Reafirmo que não existe nenhuma lei que proíba empresários de apoiarem candidatos ou expressarem suas opiniões políticas”, declarou.
A equipe jurídica estuda medidas para reverter a decisão. Mantei e Vicini também vão recorrer. O advogado de Mantei, Guilherme Barcelos, declarou que “não houve irregularidade”. César Augusto Schmitt Sousa, advogado de Vicini, disse ter recebido a decisão com “total surpresa” e que “apresentará o competente recurso”.
Hang afirmou que continuará defendendo a liberdade econômica e o direito à participação política de empresários. “O empreendedor brasileiro pode e deve participar do processo político sem ser perseguido ou atacado”, disse. “Vou continuar levantando a bandeira da liberdade econômica e de um Estado menor e mais eficiente.”
A decisão já está em vigor, mas cabe recurso.
