Léo Lins reage a pedido de prisão: “Usaram a Wikipedia como fonte” - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Cultura

Léo Lins reage a pedido de prisão: “Usaram a Wikipedia como fonte”

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Por Redação

Humorista contesta decisão que o condenou a mais de 8 anos de prisão por piadas em show

O humorista Léo Lins se pronunciou publicamente após a Justiça determinar sua prisão com base em piadas feitas durante um show de stand-up. Condenado a mais de oito anos de cadeia e a pagar multa de quase R$ 2 milhões, Lins classificou a decisão como absurda e denunciou o uso da Wikipedia como base teórica da sentença.

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“Quando eu recebi a notícia da minha prisão, eu passei o dia gravando no SBT, ao lado de grandes amigos, o que ajudou a deixar o clima um pouco mais leve”, iniciou Lins em vídeo publicado nesta semana.

Na gravação, ele deixa de lado o personagem cômico para falar como Leonardo Borges Lins, fora dos palcos: “Esse vídeo não é de piada, eu estou em casa com meus gatos… não o comediante Léo Lins, mas a pessoa Leonardo”.

Segundo o humorista, a decisão judicial ignorou princípios básicos da comédia e o papel do palco como espaço de ficção.

“Na construção do texto, nós utilizamos figuras de linguagem, hipérbole, metáfora, ironia, numa licença estética, e, portanto, uma análise literal desse texto não se aplica na estrutura do cômico. Isso não é uma opinião minha, é um dos conceitos de humor segundo o autor Simon Critchley, um nome respeitado no mundo todo”, explicou.

Mas o que mais chocou Lins foi o fundamento usado pela juíza para justificar a condenação, se baseando em sites que podem ser editados por qualquer usuário.

“Sabe qual foi um dos embasamentos teóricos da juíza que me condenou a mais de oito anos de cadeia? A Wikipedia. E isso não é uma piada”, afirmou. “Você imagine um inocente acusado de homicídio… a juíza vai na Wikipedia, vê que pessoas podem mentir, e pronto: condenado.”

Léo Lins ainda ironizou os critérios usados pela magistrada: “Apesar de haver texto, edição, cenário, figurino e estar em um palco, parece-nos não se tratar de um personagem, e sim da pessoa a proferir discursos”. Para o humorista, isso ignora completamente o contexto artístico da apresentação.

Em tom crítico, ele alertou para a crescente intolerância contra discursos divergentes.

“Estamos vivendo uma das maiores epidemias dos últimos tempos: a da cegueira racional. Os julgamentos são feitos puramente baseados em emoção e ninguém quer mais ouvir o próximo”.

O caso reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão no Brasil. Para Léo Lins, não se trata apenas de uma perseguição a ele, mas de um precedente perigoso.

“Isso pode trazer consequências para qualquer pessoa, mas no caso de um juiz, de uma juíza, pode trazer consequências gravíssimas”, concluiu.

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