A cientista política Laura Fernández foi eleita presidente da Costa Rica neste domingo (1º), após vencer a disputa ainda no primeiro turno das eleições. Candidata do campo conservador e aliada do atual presidente Rodrigo Chaves, ela obteve votação suficiente para evitar uma segunda rodada, segundo dados divulgados pelo Tribunal Supremo Eleitoral.
Com mais de 88% das urnas apuradas, Fernández alcançou pouco mais de 49% dos votos válidos, superando com ampla margem o economista Álvaro Ramos, que ficou em segundo lugar com cerca de 33%. Ao todo, 19 candidatos concorreram ao cargo.
A eleição ocorre em um momento de transformação do debate político no país, historicamente visto como uma das democracias mais estáveis da América Central. Nos últimos anos, a Costa Rica passou a enfrentar aumento expressivo da violência e da atuação do narcotráfico, fenômenos que alteraram o perfil da campanha eleitoral.
Durante o governo de Rodrigo Chaves, impedido de disputar a reeleição, o país registrou a maior taxa de homicídios de sua história, com 17 mortes por 100 mil habitantes. As autoridades atribuem o avanço da criminalidade à consolidação do território costa-riquenho como rota logística do tráfico internacional de drogas.
Nesse cenário, Fernández construiu sua campanha com foco no endurecimento da política de segurança pública. Entre as propostas, estão a conclusão de um presídio de segurança máxima inspirado no modelo adotado por El Salvador, o aumento de penas criminais e a adoção de estados de emergência em áreas afetadas pela violência.
A presidente eleita manifestou admiração pelas medidas adotadas pelo presidente salvadorenho Nayib Bukele, que a parabenizou publicamente após a divulgação dos primeiros resultados
Além da Presidência, o pleito também renovou as 57 cadeiras da Assembleia Legislativa. Pesquisas indicam que o partido governista tende a ampliar sua bancada, mas ainda não está claro se alcançará uma supermaioria capaz de viabilizar mudanças constitucionais — possibilidade que tem despertado preocupação entre lideranças políticas e ex-presidentes, como o Nobel da Paz Oscar Arias.
