Arquivos incluem vídeos, áudios e imagens de vigilância de 2019
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou nesta manhã (23) ao menos 8 mil novos documentos relacionados ao caso do financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein. O material reúne vídeos, áudios e imagens de vigilância, incluindo registros de agosto de 2019, quando Epstein foi encontrado morto em sua cela.
Segundo o Departamento de Justiça, os documentos fazem parte de materiais coletados em duas investigações criminais federais distintas. Não se tratam de novas provas, mas de arquivos já existentes que passaram a ser tornados públicos após a aprovação de uma lei de transparência pelo Congresso americano.
A legislação, aprovada em novembro, determinou a divulgação de todo o acervo sob posse do departamento até o dia 19 de dezembro. No entanto, a liberação ocorreu de forma escalonada. O vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que os documentos não seriam publicados de uma só vez.
Os arquivos iniciais foram organizados em sete lotes divulgados entre sexta-feira e sábado. Parte significativa do material apresenta censuras extensas, com trechos e páginas inteiras cobertos por tarjas, o que impede a leitura integral do conteúdo.
De acordo com o departamento, a divulgação não deve ser confundida com outros conjuntos já disponíveis ao público. Antes dessa nova rodada, dezenas de milhares de páginas relacionadas às investigações federais sobre Epstein já haviam sido liberadas.
Na véspera do prazo legal, democratas do Comitê de Supervisão da Câmara divulgaram 68 fotografias obtidas por intimação judicial junto ao espólio de Epstein. Entre elas, imagens de encontros com figuras públicas.
Fotos removidas e republicadas
Ao menos 16 fotografias foram retiradas temporariamente do portal oficial, incluindo uma que mostrava o então presidente Donald Trump. A imagem exibia um aparador na residência de Epstein em Manhattan, com fotos de Trump, Melania Trump e Ghislaine Maxwell, condenada por facilitar crimes sexuais.
Após questionamentos públicos, inclusive de democratas do Congresso, o Departamento de Justiça informou que a retirada ocorreu por “abundância de precaução”. Segundo Blanche, após revisão, concluiu-se que não havia exposição de vítimas. “A fotografia foi republicada sem qualquer alteração ou redação”, afirmou.
Outras imagens removidas mostravam a sala de massagem da mansão de Epstein em Nova York, local citado em investigações como cenário de abusos. Algumas dessas fotos permaneceram disponíveis no site, enquanto outras foram recolocadas após nova análise.
Menções políticas
Embora o material divulgado tenha gerado expectativa, os documentos pouco acrescentaram às informações já conhecidas sobre a rede de relações de Epstein. O conteúdo faz mais referências ao ex-presidente Bill Clinton do que a Trump.
Trump não se manifestou sobre a divulgação. O Departamento de Justiça informou que novos lotes de documentos devem ser publicados nas próximas semanas.
Por meses, o ex-presidente havia criticado a divulgação dos arquivos, classificando-a como iniciativa política. Apesar disso, a maioria das imagens e menções a Trump já era conhecida, incluindo registros em agendas, livros de recados e históricos de voo de Epstein.
O Departamento de Justiça afirmou que seguirá revisando e divulgando os documentos “de acordo com a lei”, à medida que novas análises forem concluídas.
**Com informações da AFP
