Irã: Mídia estatal confirma morte de Khamenei; Veja detalhes
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Irã: Mídia estatal confirma morte de Khamenei; Veja detalhes

Povo comemora no Irã e no exterior desde anúncio feito por Trump

Mulher iraniana acena com a bandeira nacional do Irã enquanto segura uma foto do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, durante uma cerimônia em memória dos mortos em protestos antigoverno ocorridos no início do mês passado (Foto: EFE/EPA/ABEDIN TAHERKENAREH)
Mulher iraniana acena com a bandeira nacional do Irã enquanto segura uma foto do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, durante uma cerimônia em memória dos mortos em protestos antigoverno ocorridos no início do mês passado (Foto: EFE/EPA/ABEDIN TAHERKENAREH)

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Relatos e vídeos divulgados nas redes sociais neste sábado (28) mostram iranianos comemorando em cidades dos Estados Unidos e do Canadá após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto em ataques coordenados por Washington e Israel.

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As imagens mostram pessoas nas ruas com bandeiras e mensagens celebrando o que chamam de “alvorecer de um Irã livre”. Publicações apontam que parte da diáspora iraniana vê a morte do aiatolá como oportunidade de mudança política no país.

Parte dos iranianos celebra nas ruas notícia da morte do líder supremo. Foto: Mamlekate/X

Testemunhas ouvidas por agências internacionais relataram manifestações semelhantes dentro do próprio país. Segundo esses relatos, houve comemorações em Teerã, Karaj e Isfahan. Vídeos também registraram buzinaços e concentração de pessoas em Shiraz e Abdanan. Parte das gravações exibe fotos de manifestantes mortos na repressão a protestos antigovernamentais recentes.

No Brasil, o deputado Kim Kataguiri (União-SP) publicou que “o povo iraniano saiu às ruas para comemorar a morte do ditador Khamenei” e classificou o regime como opressivo.

Veja imagens e publicações:

Confirmação oficial

A mídia estatal iraniana confirmou a morte de Ali Khamenei após bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel contra alvos em Teerã e outras cidades. Segundo veículos oficiais, o líder morreu em decorrência dos ataques à sua residência oficial.

Khamenei ocupava o cargo desde 1989, após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini. Aos 86 anos, era a principal autoridade política e religiosa do país, com influência direta sobre as Forças Armadas, a política externa e o programa nuclear iraniano.

Ali Khamenei, aiatolá e líder supremo do regime teocrático ditatorial do Irã. Foto: Reprodução/khamenei.ir
Foto: Reprodução/khamenei.ir

A agência Fars, ligada à Guarda Revolucionária, informou que familiares diretos do líder também morreram nos ataques, incluindo filha, genro, neto e uma nora.

De acordo com o Crescente Vermelho iraniano, os bombardeios já deixaram mais de 200 mortos. A extensão dos danos não pôde ser verificada de forma independente, já que o regime restringe o acesso da imprensa internacional às áreas atingidas.

Pronunciamentos de Trump

Antes da confirmação oficial iraniana, Donald Trump publicou em sua rede Truth Social que Khamenei estava morto.

“Khamenei, uma das pessoas mais perversas da História, está morto. Isso não é apenas justiça para o povo do Irã, mas para todos os Grandes Americanos, e para aquelas pessoas de muitos Países ao redor do Mundo, que foram mortas ou mutiladas por Khamenei e sua gangue de CAPANGAS sedentos de sangue”, escreveu.

Trump afirmou que o líder iraniano não conseguiu impedir a ação coordenada entre Estados Unidos e Israel. Segundo ele, a operação contou com “Inteligência e os Sistemas de Rastreamento Altamente Sofisticados”.

O presidente declarou ainda que a morte de Khamenei representa “a maior chance única para o povo iraniano retomar seu País” e afirmou que membros da Guarda Revolucionária estariam buscando imunidade. “Como eu disse ontem à noite: ‘Agora eles podem ter Imunidade, depois só terão a Morte!’”, publicou.

Em entrevista à NBC News, Trump afirmou: “Falei com muitas pessoas, e temos impressão de que essa história está correta.” Questionado se tinha certeza da morte, respondeu: “Eu não quero dizer nada com certeza até que eu veja as coisas, mas acreditamos que ele esteja”.

Ao canal ABC News, declarou “acreditar” que o líder iraniano esteja morto e acrescentou que “grande parte da liderança se foi”.

Sucessão do poder

Segundo a Constituição, a escolha do novo líder supremo cabe à Assembleia de Especialistas. A mídia estatal informou que, até a definição do sucessor, o presidente Masoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário Gholamhossein Mohseni-Ejei e um jurista do Conselho dos Guardiões assumirão interinamente a condução do país.

Como os protestos ampliaram a crise entre EUA e Irã?

A tensão entre Irã e Estados Unidos se intensificou ao longo deste ano após a repressão a protestos iniciados em janeiro. As manifestações começaram em meio ao avanço da inflação e à deterioração das condições econômicas, levando milhares de iranianos às ruas contra o regime.

Diante da repressão, o presidente Donald Trump declarou repetidas vezes que reagiria caso houvesse uso de força contra civis. Ele afirmou que os Estados Unidos estavam “prontos e armados” e que “atacaria com força total” se as autoridades iranianas reprimissem violentamente as manifestações.

Durante o período de protestos, o governo iraniano impôs bloqueios à internet e restringiu comunicações. Organizações de direitos humanos apontaram mais de 5 mil mortos. Em discurso sobre o Estado da União, Trump elevou esse número e afirmou que o regime matou 32 mil manifestantes.

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