Investigação no DF revelou raiz de roubo do INSS anos antes do escândalo - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Investigação no DF revelou raiz de roubo do INSS anos antes do escândalo

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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Por Redação

Investigação do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) e da Polícia Civil (PCDF), com base em depoimentos, documentos e trabalho de campo, já identificava em 2021 o roubo de bilhões de recursos de aposentados e pensionistas.

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Um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) expôs irregularidades envolvendo a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer). O MPDFT rastreou um sistema de descontos mensais não autorizados em benefícios previdenciários, sustentado por um Termo de Cooperação Técnica com o INSS.

Entre janeiro e agosto de 2020, durante a pandemia, as filiações à Conafer saltaram de 42.810 para 279.520 — período em que o acesso a agências do INSS era restrito. A arrecadação mensal da entidade disparou de R$ 6,6 milhões para mais de R$ 40 milhões. Milhares de beneficiários tiveram valores descontados sem autorização, com contribuições entre R$ 45 e R$ 77 comprometendo orçamentos de idosos vulneráveis. A Conafer não apresentou fichas de filiação válidas: documentos tinham dados incompletos, assinaturas suspeitas ou faltantes.

Para legitimar cobranças, a Conafer contratou a Target Pesquisas de Mercado por R$ 750 mil, supostamente para coletar autorizações em estados como DF, Goiás e Bahia. A Premiar Recursos Humanos, vinculada ao processo, foi acusada em depoimentos de manipular arquivos e falsificar assinaturas. Um colaborador confessou à PCDF ter alterado PDFs para simular adesões e relatou ameaças.

Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer, e seu irmão, Tiago Lopes, comandavam a estrutura. Ambos registraram empresas e expandiram patrimônio durante o auge dos descontos. A Agropecuária Lagoa Alta, de Carlos, teve capital social declarado em R$ 3 milhões, embora a escritura indicasse menos de R$ 32 mil.

Mesmo com alertas internos, o INSS manteve repasses à Conafer. Em 2021, o então presidente do instituto, Leonardo Rolim, autorizou a continuidade dos pagamentos, ignorando questionamentos sobre legalidade. A suspensão só ocorreu após denúncias da imprensa e pressão do Congresso, transferindo o caso ao Ministério Público Federal (MPF), Controladoria-Geral da União (CGU) e Polícia Federal (PF).

Operação Sem Desconto

Em março de 2024, o Metrópoles revelou que 29 entidades com autorização do INSS para descontar mensalidades triplicaram ganhos em um ano, mesmo respondendo a 60 mil ações judiciais. A PF deflagrou a Operação Sem Desconto, e o INSS exonerou o diretor de Benefícios, André Fidelis. Posteriormente, o presidente do instituto, Alessandro Stefanutto, e o ministro da Previdência, Carlos Lupi, deixaram os cargos.

Em dezembro de 2024, a Justiça Federal recebeu o processo com documentos da CGU, relatórios do INSS e trocas de mensagens entre investigados. Na semana passada, a reportagem visitou a sede da Conafer em Brasília: a recepção estava vazia em horário comercial. Uma funcionária admitiu reclamações sobre descontos, mas evitou explicar a origem das cobranças.

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