A Polícia Federal revelou que a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) aplicou descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, muito acima dos valores autorizados. Entre 2019 e 2024, a entidade liderou o roubo, segundo investigação que integra a Operação Sem Desconto.
Relatório da PF, com dados da Controladoria-Geral da União (CGU), aponta casos em que beneficiários, autorizando R$ 28,24 mensais, sofreram descontos de R$ 79,06 — acréscimo de 180%. A CGU identificou 17 situações com cobranças 40% a 180% superiores ao permitido. Durante a pandemia, entre abril e julho de 2020, a Conafer registrou descontos em 73.108 benefícios, média de 610 por dia, elevando os valores abatidos de R$ 400 mil em 2019 para R$ 277 milhões em 2024.
Denunciada anteriormente à Polícia Civil do Distrito Federal, com apoio do Ministério Público, a Conafer enfrentou acusações de ameaças a servidores do INSS durante auditorias nos Acordos de Cooperação Técnica em 2020. Apesar das evidências, a Advocacia-Geral da União (AGU) não incluiu a entidade em ação contra 12 associações e 14 pessoas físicas ou jurídicas, que busca bloquear recursos para ressarcir os prejudicados. A Conafer não respondeu às tentativas de contato.
