INSS admite não conseguir calcular prejuízo em caso envolvendo Master
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Justiça

INSS admite não conseguir calcular prejuízo em caso envolvendo Master

Órgão informou ao MPF que não possui elementos para dimensionar danos causados por contratos sob investigação

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou ao Ministério Público Federal (MPF) que não possui condições de calcular a extensão dos prejuízos causados a aposentados e pensionistas por supostas irregularidades envolvendo operações de crédito consignado do Banco Master.

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Em manifestação encaminhada ao MPF no último dia 18, o órgão declarou não ter elementos suficientes para mensurar “a existência, a extensão e a liquidez” dos créditos de beneficiários eventualmente prejudicados. O instituto também informou que não pretende atuar na cobrança de valores em nome dos segurados nem buscar habilitação de créditos durante o processo de liquidação da instituição financeira.

A posição foi recebida em meio a investigações que apuram possíveis irregularidades em contratos de empréstimos consignados e operações relacionadas ao Credcesta, principal produto de crédito utilizado pelo banco junto a aposentados, pensionistas e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

A Procuradoria da República solicitou recentemente que a presidente do INSS, Ana Cristina Viana, apresente uma relação detalhada dos beneficiários e dos contratos considerados inválidos pelas investigações.

As tratativas para uma reparação coletiva chegaram a ser discutidas entre o MPF, a Defensoria Pública da União (DPU) e o próprio INSS. A proposta previa que o instituto identificasse a dimensão dos danos, enquanto a DPU atuaria para buscar o ressarcimento junto à instituição financeira. As negociações, porém, não avançaram.

O Banco Master operou o crédito consignado por meio de um acordo de cooperação técnica firmado com o INSS entre 2020 e 2025. As investigações apontam suspeitas de descontos indevidos, falhas na comprovação do consentimento dos beneficiários e irregularidades na formalização de contratos.

Auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) utilizadas nas apurações da CPI do INSS identificaram uma série de inconsistências. Segundo os levantamentos, 96,6 mil contratos firmados entre 2023 e 2025 apresentaram validação biométrica considerada insuficiente para comprovar a identidade dos contratantes. O número representa 62,4% dos contratos analisados no período.

Outro relatório apontou que 155,1 mil operações realizadas entre 2021 e 2023 foram efetivadas sem o envio da documentação obrigatória ao INSS, equivalente a 84,3% dos contratos examinados. De acordo com a CGU, as falhas permaneceram nos anos seguintes.

Documentos internos do próprio instituto indicam a existência de irregularidades em mais de 250 mil contratos vinculados ao Banco Master.

Os dados também mostram uma forte expansão das operações do Credcesta nos últimos anos. O número de contratos passou de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024, crescimento superior a 2.500%.

Apesar da existência de auditorias internas, investigações da CGU e discussões sobre formas de ressarcimento, o INSS sustenta que não dispõe de informações suficientes para dimensionar o prejuízo causado aos beneficiários atingidos pelas operações sob investigação.

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