Governo Lula retoma convênio com entidade investigada na Farra do INSS
Brasília, Terça, 21 de julho de 2026
Política

Governo Lula retoma convênio com entidade investigada na Farra do INSS

Entidade é investigada por descontos que somam R$ 2 bilhões em benefícios do INSS

Relatório do Coaf mostra movimentações de R$ 2 bilhões da Contag, entidade ligada ao PT, com transações suspeitas e sob investigação da CPMI
Foto: Divulgação/Contag

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Por Redação

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) restabeleceu ontem (02) convênio com a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), entidade investigada pela Polícia Federal (PF) no caso dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões.

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A parceria havia sido rescindida unilateralmente pela autarquia em abril. Agora, após um pedido de revisão apresentado pela entidade, a presidente do INSS, Ana Cristina Viana Silveira, anulou a decisão e restabeleceu o acordo.

Firmado em 2022, o convênio permite que organizações ligadas à Contag prestem atendimento remoto relacionado a serviços previdenciários e ao seguro-desemprego do pescador artesanal.

A Contag é uma das entidades investigadas pela PF sobre descontos associativos ilegais realizados em benefícios do INSS. Segundo a PF, a confederação arrecadou cerca de R$ 2 bilhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024, sendo parte dos descontos efetuada sem conhecimento ou autorização dos beneficiários.

A entidade também participou da articulação que enfraqueceu mecanismos de controle sobre descontos associativos no INSS. Segundo metadados obtidos pelo site Metrópoles, 96 das 578 emendas apresentadas por parlamentares de esquerda a uma medida provisória antifraudes foram elaboradas pela entidade ou por uma advogada ligada à confederação.

Entre os resultados da atuação esteve a derrubada da revalidação anual obrigatória dos descontos aplicados a aposentados e pensionistas.

Em nota, o INSS afirmou que a decisão de restabelecer o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) nº 2/2022 foi tomada após uma nova análise jurídica sobre as regras aplicáveis às parcerias com organizações da sociedade civil. De acordo com a autarquia, a rescisão ocorreu com base na interpretação de que o artigo 39, inciso III, da Lei nº 13.019/2014 impediria a celebração de acordos com entidades que possuam membros de Poder, integrantes do Ministério Público ou dirigentes públicos em seus quadros de direção.

“Mais recentemente, verificou-se que o entendimento pacificado da Advocacia-Geral da União (AGU) informa que essa proibição somente se aplica nos casos em que o acordo envolva transferência de dinheiro, doação de bens, comodato ou compartilhamento de patrimônio público – o que não ocorre no caso concreto”, afirma a nota.

O INSS ressaltou que o acordo firmado com a Contag não prevê repasse de recursos financeiros. “Constatada a plena legalidade do instrumento, o INSS manteve o acordo vigente para garantir a continuidade dos serviços previdenciários prestados”, completa a nota.

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