Durante o programa ALive, do jornalista Claudio Dantas, nesta segunda-feira (21), o analista político e econômico Ary Alcântara afirmou que a igreja deve ser vista como um espaço de fé, e não como um campo ideológico.
A declaração foi feita ao comentar as críticas de que o Papa Francisco, que morreu nesta madrugada, teria inclinações mais à esquerda, com base em algumas de suas declarações e atitudes ao longo de seu pontificado.
“A igreja sempre foi usada. Usaram a igreja: a esquerda, a direita, o centro, porque é um bom uso. Vender a fé sob uma roupagem, qualquer que ela seja, é um bom negócio. Mas a igreja é muito acima de qualquer ideologia. A igreja não está em uma ideologia, a igreja está no sentimento humano. O sentimento humano de ser humano”, destacou Alcântara, ressaltando que a verdadeira essência da igreja está além das divisões políticas e ideológicas.
O analista também abordou a origem espiritual da igreja, ligando-a aos sentimentos dados por Deus, e lembrou o papel de Jesus Cristo. “Deus, que é aquilo em que nós acreditamos como criador do universo, nos colocou aqui com sentimentos, com a natureza, e é esta a inspiração da igreja. Jesus Cristo trouxe isto, inclusive em situações conflitantes, e ele apresentou os conflitos”, afirmou.
De acordo com Ary, existe diversidade dentro da igreja e liberdade interpretativa ao longo do tempo. Ele destacou que “os apóstolos, que evangelizaram a igreja, fizeram isso de várias formas. Se nós lermos Paulo, ou lermos João, nós vamos ler de uma forma ou de outra, e é essa abertura que a igreja dá. E os papas não são nada mais, nada menos, do que esta inspiração”.
Sobre as declarações de Francisco em relação ao aborto, Alcântara disse que “quando eles [Papas] falam, são homens”, mas “quando eles dogmatizam, como fez o Papa Francisco sobre o aborto, ele foi pontual. A vida é o princípio básico, não se pode agredir a vida. Não se tem como agredir a vida. E ele é farto nisso”.
O analista também relembrou momentos históricos conturbados da igreja, como as cruzadas, a Inquisição e a Guerra dos Cem Anos. No entanto, segundo ele, “a igreja passou por todas as vicissitudes que a humanidade passou, e ela continua a igreja, porque ela tem esse sentimento. Esse sentimento que nos faz chegar, ajoelhar para Deus e dizer assim: “me ajude, me perdoe””.
Para Alcântara, a fé da igreja transcende as divisões políticas: “Eu posso ser esquerda, o que for, mas sou católico. Eu posso ser direita, o que for, mas sou católico. As nossas divergências políticas não vão nos influir, quando nós olhamos como seres humanos, respeitamos uns aos outros. É isso que nos traz o sentimento de amor a Deus”.
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