Cerca de 4,7 milhões de brasileiros vivem em unidades de conservação com pelo menos uma falha nos serviços de saneamento básico, de acordo com dados inéditos do Censo 2022 divulgados nesta sexta-feira (11) pelo IBGE. A taxa equivale a 40,3% dos 11,7 milhões de residentes em domicílios permanentemente ocupados nessas áreas, superando a média nacional de 27,28%.
As unidades de conservação são regiões protegidas por lei devido à sua importância ambiental, mas enfrentam uma realidade marcada por esgoto inadequado, abastecimento de água precário ou ausência de coleta de lixo. Entre os moradores dessas regiões, 856,5 mil convivem com duas ou mais dessas carências, o que representa 7,3% da população das áreas protegidas, mais do que o dobro da média nacional, que é de 3%.
Os números se agravam ainda mais nas zonas rurais dentro dessas áreas. Nessas localidades, quase 87% dos habitantes enfrentam algum tipo de precariedade sanitária, e 31% acumulam duas ou mais deficiências. Em áreas urbanas das mesmas unidades, os percentuais são menores: 28% com ao menos uma carência e apenas 0,9% com duas ou mais.
Segundo o IBGE, são consideradas situações precárias aquelas em que o abastecimento de água não é encanado ou depende de fontes como carro-pipa, água da chuva ou cursos d’água não tratados. No caso do esgoto, a inadequação inclui fossas rudimentares, valas, ou ausência total de esgotamento sanitário. Quanto ao lixo, é classificada como precária a ausência de coleta regular por serviços públicos.
Esses dados compõem a primeira estatística oficial do IBGE sobre a ocupação humana em áreas de proteção ambiental no país, e mostram uma contradição entre a previsão constitucional de conservação desses territórios e a realidade da negligência estrutural que os afeta.
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