Integrantes da cúpula das Forças Armadas estão operando diretamente no Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de que o general da reserva Augusto Heleno receba uma pena branda em comparação aos demais réus da trama golpista — defesa do réu fez o mesmo pedido, alegando que “menor importância” na participação da suposta tentativa de golpe.
Segundo a percepção colhida na Corte, publicada pela CNN, há uma possibilidade real de que o militar, de 77 anos, tenha uma pena distinta, dada sua idade e a carreira de destaque que inclui o comando militar da Amazônia e a missão de paz no Haiti.
Militares e juristas sustentam que as acusações contra Heleno são frágeis. O general é acusado de estruturar o discurso do governo Jair Bolsonaro contra as urnas eletrônicas enquanto exercia o cargo de ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
A principal prova seria uma agenda com anotações, mas a defesa alega que se tratam de meras acusações e que, durante a conspiração dos atos de 8 de janeiro, Heleno estava distante de Bolsonaro. Durante o julgamento no STF, na última quarta-feira (4), o advogado Matheus Milanez sustentou que a relação do general com o governo esfriou na segunda metade do mandato.
O único ponto que seria mais crítico e que poderia impedir uma absolvição, segundo a matéria, é o suposto envolvimento de Heleno com a chamada “Abin paralela”, com a utilização do órgão para produzir relatórios contra as urnas e adversários políticos.
