Fernando Haddad, atribuiu à gestão anterior do Banco Central, comandada por Roberto Campos Neto, a elevação da Selic para 15%. A declaração foi feita em entrevista à TV Record nesta terça-feira (24), na qual o ministro da Fazenda afirmou que “na última reunião [de 2024] do Copom, de dezembro, foi estabelecido que ia ter um aumento forte”.
Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 15% ao ano. Em dezembro de 2024, o BC já havia sinalizado que levaria os juros a 14,25% nos primeiros meses de 2025, podendo manter o ciclo de alta.
Questionado sobre Gabriel Galípolo, atual presidente do BC e indicado por Lula, Haddad afirmou que o novo comando da autarquia “carrega memória do anterior”. O ministro ainda citou a alta nos preços dos alimentos no início do ano como fator que teria pressionado a manutenção da taxa elevada.
A Selic é usada como instrumento para conter a inflação. A meta oficial é de 3%, com margem de tolerância de até 1,5 ponto percentual. Em maio, o IPCA acumulou 5,32% em 12 meses.
Apesar de defender cautela com a política monetária, Haddad demonstrou preocupação com o impacto da taxa de juros sobre a atividade econômica.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de o governo aumentar os gastos em 2026 por causa da eleição, Haddad disse que “o presidente Lula não vai repetir o erro que foi cometido pelo governo em 2022”. Segundo ele, naquele ano, o então governo Bolsonaro “bagunçou as contas públicas e perdeu a eleição. Nós que estamos arrumando a bagunça”.
Haddad garantiu que a atual gestão seguirá um “caminho sólido” e afirmou que Lula chegará competitivo em 2026. Ao final da entrevista, o ministro negou qualquer intenção de disputar cargos eletivos, como o governo de São Paulo ou o Senado.
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