O ministro Fernando Haddad confirmou nesta quarta-feira (14) que deixará o comando do Ministério da Fazenda ainda neste mês. A decisão será comunicada ao Lula nos próximos dias.
A confirmação foi dada em entrevista gravada à GloboNews, que irá ao ar à noite. Segundo informações divulgadas pela jornalista Miriam Leitão, Haddad pretende indicar o atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, como seu substituto.
Haddad afirmou que a antecipação da saída, antes do prazo limite definido pela Justiça Eleitoral, busca garantir uma transição organizada. Segundo ele, a medida permite que o sucessor assuma com tempo para conduzir as agendas orçamentária e fiscal ao longo de todo o ano.
“Manifestei o desejo de colaborar com a campanha do presidente Lula. E isso é incompatível com os requisitos da Fazenda. Não tem como colaborar com a campanha no cargo de ministro da Fazenda”, afirmou Haddad durante a última reunião ministerial de 2025.
Pela legislação eleitoral, ministros que pretendem disputar eleições devem se afastar do cargo até 3 de abril de 2026. Haddad disse ter optado por sair antes desse prazo para evitar sobreposição entre a gestão da pasta e a atuação política.
Na entrevista, o ministro defendeu Durigan, afirmando que ele tem “muito trânsito” na Esplanada dos Ministérios. Haddad disse ainda que essa articulação pode ajudar a conter a pressão fiscal típica de ano eleitoral, especialmente diante da reação do Congresso ao veto presidencial de R$ 11 bilhões em emendas parlamentares no Orçamento de 2026.
O ministro avaliou que o governo não deve sofrer desgaste adicional com o veto, já que a regra que limita a execução das emendas a 30% foi aprovada pelo próprio Congresso. Em outro momento da entrevista, Haddad afirmou que o governo reduziu em 70% o déficit público herdado no início do mandato.
Nos bastidores, há especulações sobre uma possível candidatura de Haddad em 2026. Ele é citado como possível candidato ao Senado por São Paulo ou ao governo estadual. Integrantes do PT também apontam a possibilidade de atuação direta na campanha de reeleição de Lula, hipótese que o próprio ministro já mencionou em declarações anteriores.
