O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou hoje (23), em entrevista ao programa Alive, apresentado por Claudio Dantas no YouTube, que o ex-ministro da Economia Paulo Guedes tem colaborado com a pré-campanha de Flávio Bolsonaro de maneira reservada.
“Paulo tem sido uma pessoa que tem nos ajudado de uma forma muito discreta, até com o seu exemplo, o que foi feito na administração do presidente Bolsonaro”, disse Marinho.
O senador ressaltou que Guedes mantém postura de independência por estar na iniciativa privada, mas que há “consciência de que há necessidade de retomarmos o caminho da prosperidade, que foi interrompido por ocasião do início do governo do Lula”.
Marinho admitiu divergências passadas com o ex-ministro, mas minimizou os atritos. “O Paulo sempre teve um temperamento mais forte, mas eu acredito que, hoje, mais do que nunca, há uma consciência de que nós defendemos um legado que foi conjunto, que foi compartilhado.”
Legado fiscal do governo Bolsonaro
O senador destacou resultados econômicos do governo anterior. Segundo ele, foi o primeiro governo desde o início dos anos 1970 a apresentar redução da relação dívida-PIB. “Nós recebemos 75% de comprometimento com o PIB, entregamos com 71%”, afirmou.
Marinho também citou a preservação de 11 milhões de contratos de trabalho durante a pandemia, o auxílio a estados e municípios e o suporte a cerca de 60 milhões de brasileiros durante a crise da Covid-19 como realizações do período.
“Eu tenho muita convicção, muito orgulho, muita capacidade de fazer a discussão e o debate em qualquer fórum, em qualquer lugar, em qualquer ambiente, em qualquer comissão, defendendo o governo que nós participamos”, declarou.
Sobre as estatais, o parlamentar afirmou que Banco do Brasil, Caixa Econômica, BNDES, Petrobras e os fundos de pensão tiveram sua gestão profissionalizada. “Nós não permitimos o aparelhamento da máquina pública”, disse.
Promessas para um eventual governo Flávio Bolsonaro
Questionado sobre o que um eventual governo Flávio Bolsonaro ofereceria de diferente em termos fiscais, Marinho foi direto. “Nós faremos parecido ou melhor com o que fizemos em 2019 e 2022.”
O senador elencou as diretrizes previstas: equilíbrio das contas públicas, redução da taxa de juros, convergência entre política monetária e fiscal, prioridade à dívida pública, parceria com a iniciativa privada e desburocratização do Estado.
Marinho também diferenciou a base legislativa esperada para 2027 da que existia em 2019. “Em 2019, o presidente Bolsonaro ingressa no Executivo com uma base de 50 e poucos deputados do PSL.” Para o próximo ciclo, o senador projeta ao menos 100 parlamentares do PL na Câmara e entre 20 e 25 senadores, além de aliados de centro-direita.
Sobre a possibilidade de ocupar o Ministério da Fazenda, Marinho foi categórico: “Não serei ministro da Fazenda, não tenho essa pretensão, nem tenho essa condição. O meu papel é no Legislativo.”
“Governo para as próximas gerações”
Marinho defendeu a PEC apresentada por Flávio que extingue a possibilidade de reeleição para presidente da República. Segundo o senador, o objetivo é que as decisões de governo sejam orientadas pelo interesse do país, e não pelo calendário eleitoral.
“As ações que vão ser implementadas no governo vão levar em consideração as próximas gerações e não as próximas eleições. Não haverá cálculo político, haverá cálculo de país, de Estado, de nação”, afirmou.
Questionado sobre o que diferencia essa proposta de outras já apresentadas, Marinho destacou a concretização formal da iniciativa. “A materialização. O Flávio, ele de próprio punho, já fez o projeto, que é uma PEC, colheu as assinaturas com 30 senadores, já protocolou dentro do Senado da República.”
A meta é votar a PEC ainda em 2026, após as eleições. “Usando a responsabilidade, o peso, a legitimidade do mandato recém adquirido, propormos ao Senado da República e à Câmara dos Deputados urgência na tramitação para que já entremos na legislatura do ano subsequente com essas regras estabelecidas”, disse Marinho.
O senador também defendeu ampliar o mandato presidencial de quatro para cinco anos e criar a figura do senador vitalício para ex-presidentes — sem direito a voto, mas com estrutura de cargo. “Ele seria uma espécie de senador para ter um púlpito, para ter um lugar, para ser um oráculo”, explicou, citando modelo semelhante ao adotado na Itália.
