Lula volta a culpar família Bolsonaro por tarifaço dos EUA
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Governo Lula volta a culpar família Bolsonaro por tarifaço dos EUA

Planalto reage à investigação comercial americana e fala em "ingerência" e atuação de "falsos patriotas"

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva fala durante uma entrevista coletiva com a chanceler alemã, após a reunião de consultas governamentais germano-brasileiras em Hannover - Odd Andersen - 20.abr.26/AFP
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva fala durante uma entrevista coletiva com a chanceler alemã, após a reunião de consultas governamentais germano-brasileiras em Hannover - Odd Andersen - 20.abr.26/AFP

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Em nota divulgada agora há pouco (2), o governo Lula afirmou que a investigação comercial aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) teve origem em uma articulação política ligada ao grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Segundo o Planalto, a apuração iniciada em julho de 2025 ocorreu por “provocação da família Bolsonaro” e estaria relacionada a tentativas de interferência em assuntos internos do Brasil.

“Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington.”

O comunicado também acusa adversários políticos de atuarem contra os interesses brasileiros no exterior.

“Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais.”

A manifestação foi publicada um dia após o USTR recomendar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e citar temas como o Pix, políticas comerciais, combate à corrupção, propriedade intelectual e decisões de autoridades brasileiras como justificativas para a medida.

O governo afirma que não existem fundamentos econômicos para as sanções propostas e destaca o histórico da balança comercial entre os dois países.

“Não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX, mencionado explicitamente nas recomendações preliminares.”

De acordo com a nota, dados do Bureau of Economic Analysis indicam que os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil entre 2011 e 2025. Apenas em 2025, segundo o governo, o saldo positivo americano alcançou US$ 40,52 bilhões.

O Planalto também destacou que a maior parte das mercadorias americanas entra no mercado brasileiro sem tributação de importação.

Segundo a nota, 76% dos produtos importados dos Estados Unidos ingressaram no Brasil sem cobrança de imposto em 2025. O governo afirma ainda que a tarifa média efetivamente aplicada aos produtos americanos foi de 3,1%.

Outro trecho da manifestação associa as medidas comerciais americanas a interesses políticos e eleitorais.

“É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares.”

O governo informou que as negociações entre Brasília e Washington continuam em andamento. Segundo o comunicado, Lula e Donald Trump acordaram, durante reunião realizada em Washington em 7 de maio, a busca por uma solução negociada antes da conclusão da investigação, prevista para 15 de julho.

Enquanto as conversas seguem, o Planalto sinaliza que poderá adotar medidas de reciprocidade caso as tarifas sejam confirmadas.

“O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro.”

A nota termina com um novo ataque político aos responsáveis, segundo o governo, por estimular as medidas americanas.

“É preciso estar atento aos traidores da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro.”

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