Em nota divulgada agora há pouco (2), o governo Lula afirmou que a investigação comercial aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) teve origem em uma articulação política ligada ao grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o Planalto, a apuração iniciada em julho de 2025 ocorreu por “provocação da família Bolsonaro” e estaria relacionada a tentativas de interferência em assuntos internos do Brasil.
“Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington.”
O comunicado também acusa adversários políticos de atuarem contra os interesses brasileiros no exterior.
“Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais.”
A manifestação foi publicada um dia após o USTR recomendar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e citar temas como o Pix, políticas comerciais, combate à corrupção, propriedade intelectual e decisões de autoridades brasileiras como justificativas para a medida.
O governo afirma que não existem fundamentos econômicos para as sanções propostas e destaca o histórico da balança comercial entre os dois países.
“Não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX, mencionado explicitamente nas recomendações preliminares.”
De acordo com a nota, dados do Bureau of Economic Analysis indicam que os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil entre 2011 e 2025. Apenas em 2025, segundo o governo, o saldo positivo americano alcançou US$ 40,52 bilhões.
O Planalto também destacou que a maior parte das mercadorias americanas entra no mercado brasileiro sem tributação de importação.
Segundo a nota, 76% dos produtos importados dos Estados Unidos ingressaram no Brasil sem cobrança de imposto em 2025. O governo afirma ainda que a tarifa média efetivamente aplicada aos produtos americanos foi de 3,1%.
Outro trecho da manifestação associa as medidas comerciais americanas a interesses políticos e eleitorais.
“É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares.”
O governo informou que as negociações entre Brasília e Washington continuam em andamento. Segundo o comunicado, Lula e Donald Trump acordaram, durante reunião realizada em Washington em 7 de maio, a busca por uma solução negociada antes da conclusão da investigação, prevista para 15 de julho.
Enquanto as conversas seguem, o Planalto sinaliza que poderá adotar medidas de reciprocidade caso as tarifas sejam confirmadas.
“O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro.”
A nota termina com um novo ataque político aos responsáveis, segundo o governo, por estimular as medidas americanas.
“É preciso estar atento aos traidores da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro.”
