Governo Lula tenta excluir alimentos e Embraer do tarifaço dos EUA - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Governo Lula tenta excluir alimentos e Embraer do tarifaço dos EUA

Lula
Governo de Lula é rejeitado pelo eleitor do DF.

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Por Redação

Haddad e Alckmin negociam com governo Trump e seguram plano de reação

A três dias da entrada em vigor do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada por Donald Trump, o governo Lula busca negociar exceções com os Estados Unidos. Alimentos e aeronaves da Embraer estão entre os principais itens que o Brasil tenta retirar da lista de sobretaxas.

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O vice-presidente Geraldo Alckmin, responsável pela interlocução com o secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, vem pedindo a exclusão de setores com forte presença nos EUA, como o suco de laranja, o café e os aviões da Embraer. O argumento é que esses produtos têm relevância econômica para ambos os países. A Embraer, por exemplo, compra peças dos EUA e vende a maior parte de sua produção de aviação regional para o mercado americano.

Sem retorno da Casa Branca, o governo brasileiro optou por adiar a divulgação do plano de contingência até que o decreto americano seja publicado oficialmente. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e Alckmin apresentaram as alternativas ao presidente Lula nesta segunda-feira (28), no Palácio do Planalto.

Haddad afirmou que o governo ainda espera uma solução negociada. “Tem havido conversas. O Brasil não vai sair da mesa de negociação”, declarou.

Segundo Haddad, o plano de contingência já está pronto e pode incluir linhas de crédito emergenciais e estímulos temporários para setores atingidos. A proposta também avalia ações para preservação de empregos, inspiradas no modelo adotado durante a pandemia.

Alckmin, em conversa com jornalistas, confirmou o conteúdo técnico do plano, mas reiterou que o foco continua na tentativa de acordo. “Todo o empenho agora é para a gente buscar resolver o problema. Estamos dialogando pelos canais institucionais e sob reserva”, disse.

Ao ser questionado se Lula ligaria diretamente para Trump, Alckmin respondeu que não tratou do tema com o presidente. “O presidente Lula é o homem do diálogo”, limitou-se a dizer.

O governo dos EUA, até o momento, não respondeu aos pedidos brasileiros. No domingo (27), Trump confirmou que as tarifas de 50% entram em vigor em 1º de agosto. O Brasil, segundo o anúncio, foi incluído entre os países com maior taxa, enquanto Reino Unido ficou com 10%, União Europeia e Japão com 15%, e Vietnã com 20%.

Nos bastidores, auxiliares de Lula afirmam que não haverá concessão política nas tratativas. A área jurídica que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro, segundo o Planalto, está fora da pauta de negociação. Em nota oficial, o governo reafirmou que a soberania nacional não está em discussão.

Nesta semana, o chanceler Mauro Vieira viajou a Nova York para uma conferência da ONU, mas ainda não obteve resposta sobre uma possível reunião com o governo americano. Se não houver abertura para o diálogo, ele não deve seguir para Washington.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que integra a missão oficial do Congresso aos EUA, reconheceu a dificuldade em reverter a decisão americana. O grupo de oito senadores, liderado por Nelsinho Trad (PSD-MS), tem se reunido com empresários e congressistas em Washington na tentativa de frear o tarifaço. Até o momento, não há previsão de encontro com integrantes do governo Trump.

Lula mencionou publicamente que as tratativas enfrentam barreiras. “Todo dia ele \[Alckmin] liga para alguém e ninguém quer conversar com ele”, afirmou o presidente em discurso na semana passada.

A postura de resistência da gestão americana também foi mencionada por Gabriel Escobar, encarregado de negócios da embaixada dos EUA no Brasil. Em reunião com representantes da iniciativa privada, ele destacou o interesse dos EUA nos chamados “materiais críticos” em solo brasileiro.

Em resposta, Lula declarou que as reservas minerais pertencem ao povo brasileiro e não serão parte de qualquer concessão. Internamente, Alckmin continua consultando líderes da indústria, do agronegócio e de outros setores para avaliar os impactos da medida na economia nacional.

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