O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que as áreas técnicas do governo finalizaram o desenho do plano de contingência para socorrer setores da economia brasileira que possam ser afetados pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Os detalhes das medidas serão apresentados ao presidente Lula em uma reunião na próxima semana, dependendo de sua validação política.
O plano foi elaborado com base nos parâmetros definidos por Haddad e pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin. Antes de serem levadas a Lula, as propostas passarão pelo crivo do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do chanceler, Mauro Vieira.
Haddad afirmou que a prioridade do governo é a negociação com os EUA, mas admitiu que o debate está “interditado” pela Casa Branca. “Nós [da Fazenda] estamos falando com a equipe técnica do Tesouro, mas não com o secretário”, disse. Embora Alckmin tenha conseguido dialogar com alguns secretários americanos, como Scott Bessent (Tesouro), a Casa Branca não tem dado retorno.
“A informação que chega é que o Brasil tem um ponto, o Brasil tem razão em querer sentar a mesa, mas que o tema está muito concentrado na assessoria da Casa Branca, daí a dificuldade de entender melhor qual vai ser o movimento [dos Estados Unidos]”, completou Haddad.
Apesar das dificuldades, o ministro ainda vê espaço para negociação, citando “boas surpresas em relação a outros países nos últimos dias” que conseguiram renegociar as tarifas. “Nós podemos chegar à data de 1º de agosto com algum aceno e alguma possibilidade de acordo, mas para haver acordo precisa haver duas partes sentadas à mesa para chegar a uma conclusão”, cobrou Haddad, reforçando que o Brasil “nunca saiu da mesa de negociação”.
Haddad criticou as medidas de apoio lançadas por governadores, como a linha de crédito de R$ 200 milhões anunciada por Tarcísio de Freitas (SP) para exportadores paulistas, classificando-as como de “alcance restrito”. Ele argumentou que, diante de um volume de US$ 40 bilhões em exportações, uma linha de R$ 200 milhões (equivalente a US$ 40 milhões) não resolverá o problema em “escala maior” do tarifaço.
O ministro, no entanto, considerou “bom saber que os governadores caíram na real” e abandonaram o apoio inicial ao tarifaço de Trump. “É bom saber que os governadores estão mobilizados e percebendo, finalmente, que é um problema do Estado brasileiro. É bom notar que eles estão mudando de posição, deixando de celebrar uma agressão estrangeira ao Brasil”, completou Haddad.
