Jornalistas do Grupo Globo receberam o maior número de convites para almoços e jantares oficiais organizados pelo Itamaraty no governo Lula (PT). Foram 42 convites destinados a 24 profissionais do conglomerado, mais que o triplo da CNN Brasil, segunda colocada na lista, com 12 convites para 9 jornalistas.
Os dados foram obtidos pelo Poder360 via Lei de Acesso à Informação (LAI) e abrangem 10 eventos realizados entre 2023 e 2024. Ao todo, 157 convites foram enviados nesse período, evidenciando a preferência do governo petista pelo grupo de mídia alinhado aos seus interesses. Como de praxe, a participação dos jornalistas nas cerimônias não é obrigatória após o convite.
As recepções contaram com a presença de chefes de Estado e líderes de governos estrangeiros. A lista de eventos com a participação dos jornalistas convidados inclui:
• 1°.jan.2023 – Recepção após a posse de Lula;
• jan.2023 – Jantar com Olaf Scholz, chanceler da Alemanha (centro-esquerda);
• mai.2023 – Almoço de celebração da Semana da África;
• mar.2024 – Almoço com Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha (esquerda);
• mar.2024 – Almoço com Emmanuel Macron, presidente da França (centro);
• mai.2024 – Almoço com Patrice Talon, presidente do Benin (independente);
• mai.2024 – Jantar em comemoração aos 200 anos das relações diplomáticas Brasil-EUA;
• jul.2024 – Almoço com Sergio Mattarella, presidente da Itália (centro-esquerda);
• dez.2024 – Almoço com Robert Fico, primeiro-ministro da Eslováquia (esquerda).
O Itamaraty informou que os convites são direcionados a jornalistas que cobrem temas de diplomacia internacional. No entanto, em eventos com a presença do presidente Lula, a escolha dos profissionais fica sob controle direto da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), em parceria com a assessoria de imprensa do Itamaraty. Já em encontros de nível ministerial, a definição cabe ao próprio Ministério das Relações Exteriores.
A relação próxima do governo Lula com o Grupo Globo, escancarada nos dados, confirma o favoritismo que o Planalto dá à emissora, ignorando o princípio de isonomia no acesso à cobertura jornalística de eventos diplomáticos.
