Governo Lula pede aos EUA revisão de investigação comercial - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Mundo

Governo Lula pede aos EUA revisão de investigação comercial

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Itamaraty enviou carta a Washington contra tarifaço de 50% e defendeu STF e Pix

O Itamaraty pediu ao governo dos Estados Unidos que revise a investigação comercial aberta contra o Brasil. O pedido foi enviado em carta na última noite, no contexto da tarifa de 50% imposta por Washington a produtos brasileiros.

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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou: “O Brasil insta o USTR a reconsiderar a iniciação desta investigação e a se engajar em um diálogo construtivo”. O chanceler disse ainda que medidas unilaterais “correm o risco de minar o sistema comercial multilateral”.

A investigação norte-americana cita práticas do Brasil em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, medidas anticorrupção, propriedade intelectual, mercado de etanol e desmatamento. Até o Pix entrou na lista, apontado como barreira para cartões de crédito.

Vieira rejeitou as acusações: “O Brasil rejeita veementemente as alegações feitas pelos Estados Unidos”. Segundo o chanceler, as políticas brasileiras são “justificáveis, razoáveis, justas, equitativas, não discriminatórias e consistentes” com regras da OMC.

O documento enviado a Washington também ressaltou o superávit dos EUA na relação com o Brasil. Em 2024, os americanos exportaram US$ 78,4 bilhões em bens e serviços ao país e importaram US$ 49 bilhões, saldo de US$ 29,3 bilhões para os Estados Unidos.

Na carta, o governo Lula respondeu ponto a ponto à lista de críticas: defendeu ações anticorrupção, explicou a legislação de propriedade intelectual, tratou da importação de etanol e do controle ambiental.

O Itamaraty também seguiu o discurso de Lula em defesa das instituições brasileiras. O chanceler rebateu as acusações contra o STF e negou perseguição política. Citou que decisões judiciais não públicas existem para proteger processos e que a prática também ocorre nos EUA.

Em relação ao Pix, Vieira destacou que é uma “infraestrutura pública digital” neutra, com mais de 900 provedores no Brasil. Ele lembrou que empresas estrangeiras podem integrá-lo em seus sistemas e que big techs já atuam no setor. O chanceler ainda apontou que os EUA desenvolvem o FedNow, sistema semelhante ao Pix.

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