Estados liberam crédito e estudam compensações para empresas exportadoras atingidas pelas tarifas
Governadores de diversos Estados anunciaram medidas próprias para mitigar os impactos do tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, com vigência prevista para 1º de agosto. O governo federal ainda aguarda o detalhamento oficial das tarifas antes de apresentar um plano definitivo.
Os pacotes estaduais incluem liberação de créditos de ICMS, novas linhas de financiamento e renegociação de dívidas com agências de fomento regionais. As medidas miram setores estratégicos, como o suco de laranja, siderurgia, cerâmica, madeira, pescados, café e aeronaves.
Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) liberou R$ 200 milhões na linha “Giro Exportador”, com juros a partir de 0,27% ao mês mais inflação. O Estado também devolverá créditos de ICMS retidos, com impacto de até R$ 1 bilhão.
No Paraná, o governo estadual anunciou uso de R$ 80 milhões do orçamento para linhas de crédito de até R$ 400 milhões. O pacote inclui renegociação de empréstimos na Fomento Paraná e no BRDE, além da exigência de contrapartidas a empresas que receberam incentivos fiscais.
O Ceará, Estado mais exposto proporcionalmente às exportações para os EUA, concentra sua demanda em pescados, aço e castanha. O governador Elmano de Freitas (PT) se reúne com o vice-presidente Geraldo Alckmin nesta terça-feira (29) para buscar apoio federal.
No Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD) anunciou R$ 100 milhões em crédito com juros subsidiados, por meio do BRDE, e prazo de pagamento de até cinco anos. A Fiergs estima perdas de R$ 1,9 bilhão no PIB estadual.
O Rio de Janeiro instalou grupo técnico para avaliar os danos e preparar medidas. O Espírito Santo, com 30% de sua exportação voltada aos EUA, articula medidas emergenciais e prepara redirecionamento para outros mercados. A preocupação é maior com os pequenos exportadores.
A mobilização estadual ocorre em paralelo às tratativas do vice-presidente Alckmin com autoridades americanas. Governadores também articulam reunião com o Fórum dos Governadores para alinhar ações conjuntas. Segundo Ibaneis Rocha (MDB-DF), “é hora de proteger empregos, renda e a população”.
