O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, determinou a realização de uma auditoria ampla em toda a estrutura do Executivo estadual. A medida foi formalizada por decreto em edição extra do Diário Oficial dessa terça-feira (14), e prevê que secretarias, autarquias e empresas públicas apresentem, em até 15 dias, um levantamento detalhado de suas atividades administrativas e financeiras.
O diagnóstico deverá incluir contratos de alto valor, estrutura de pessoal, processos licitatórios em andamento e contratações realizadas sem concorrência. A Controladoria-Geral do Estado ficará responsável por uma análise específica dessas contratações diretas, com envio imediato de eventuais irregularidades ao gabinete do governador.
O decreto também impõe restrições à criação de novas despesas, ao exigir comprovação prévia de disponibilidade orçamentária para firmar contratos ou iniciar licitações. Além disso, órgãos estaduais terão de revisar processos sob sigilo e encaminhá-los à Procuradoria-Geral do Estado para reavaliação.
A iniciativa ocorre em meio a mudanças na cúpula do governo. Na véspera, Ricardo Couto exonerou o secretário-chefe de Gabinete Rodrigo Abel, aliado próximo do ex-governador Cláudio Castro.
Disputa na Alerj intensifica crise institucional
Paralelamente, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) vive um novo capítulo de tensão política. O presidente interino da Casa, Guilherme Delaroli (PL), convocou uma reunião de líderes para discutir a realização de uma eleição interna que definirá o novo comando do Legislativo.
A movimentação ocorre após a Justiça Eleitoral validar a recontagem de votos das eleições de 2022, consequência da cassação do deputado Rodrigo Bacellar. A decisão alterou a composição da Casa e reabriu a disputa pela presidência.
O cargo ganhou relevância adicional diante da crise no Executivo estadual, já que integra a linha sucessória do governo. Em meio ao cenário, deputados divergem sobre o momento adequado para a eleição.
Parlamentares alinhados à direita defendem a realização imediata do pleito.
“Não é admissível que se use de diversos expedientes contra uma instituição”, afirmou o deputado Alexandre Knoploch (PL).
Já o deputado Bruno Dauaire (União) disse que a decisão deve ser tomada internamente pela Assembleia.
Por outro lado, setores da oposição pedem cautela. O deputado Luiz Paulo (PSD) defendeu o adiamento da eleição até que o Supremo Tribunal Federal (STF) defina o modelo para escolha do governador-tampão.
Uma frente formada por partidos como PSD, MDB, PT, PDT e PSB também se posicionou pelo adiamento, alegando insegurança jurídica após a decisão que resultou na vacância do governo estadual.
O impasse ocorre enquanto o STF ainda analisa as regras para a sucessão no estado, o que mantém indefinido o cenário político tanto no Executivo quanto no Legislativo fluminense.
