Governo tenta emplacar liberação de verbas para aliviar desgaste na comissão
Em estratégia de recomposição política, o governo planeja acelerar a liberação de R$ 2 bilhões em emendas parlamentares até o final do mês. Essa movimentação visa aliviar a insatisfação de líderes partidários com o ritmo da execução orçamentária e reforçar o apoio no Congresso. A expectativa é que os trabalhos da recém-anunciada CPI do INSS só se iniciem efetivamente após essa prometida liberação de emendas.
O movimento pela recomposição política ganhou força após a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, se reunirem nesta quarta-feira (18) com Alcolumbre. O encontro ocorreu apenas um dia após o governo enfrentar uma sequência de reveses significativos no Congresso.
A criação da CPI do INSS foi anunciada por Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, nos minutos finais de uma tensa sessão conjunta de deputados e senadores. Essa comissão, que investigará os descontos indevidos em benefícios, surge em um momento de atrito entre o Planalto e o Congresso.
Durante a sessão da terça-feira, parlamentares derrubaram medidas de interesse direto do governo, como a anulação do veto à pensão vitalícia para crianças afetadas pelo vírus da Zika e a taxação de fundos de investimento. Além disso, vetos relacionados ao setor elétrico, ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), ao auxílio-doença e ao agronegócio também foram rejeitados.
O adiamento da votação de um veto que poderia restringir o contingenciamento de emendas parlamentares foi visto como um alívio temporário para a base.
