Girão pede novo afastamento de Toffoli do caso Master
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

Girão pede novo afastamento de Toffoli do caso Master

Senador cita vínculos com resort no Paraná e aponta possível conflito de interesses

Senadores vão ao STF para forçar CPI do Master
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) protocolou na Procuradoria-Geral da República (PGR) um novo pedido de afastamento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da relatoria das investigações sobre o caso Banco Master. O parlamentar aponta vínculos do magistrado com o resort de luxo Tayayá, no interior do Paraná, como fator que levanta dúvidas sobre a imparcialidade do relator.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Este é o quarto pedido apresentado à PGR pela oposição. Os três requerimentos anteriores, protocolados por deputados federais em dezembro de 2025, foram arquivados pelo procurador-geral Paulo Gonet. Na ocasião, os parlamentares citaram uma viagem de Toffoli a Lima, no Peru, ao lado de advogado ligado a investigados, argumento considerado insuficiente.

No novo pedido, Girão sustenta que as informações recentemente divulgadas “lançam novas luzes sobre a necessária análise de imparcialidade, impedimento e possível conflito de interesses” no caso Master. Segundo ele, a permanência de Toffoli na relatoria “revela-se juridicamente questionável sob a ótica do devido processo legal substantivo e da garantia do juiz natural imparcial”.

O senador também questiona procedimentos adotados pelo ministro durante a apuração. Entre eles, a decisão que determinou o envio direto ao gabinete de Toffoli de todo o material apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero, sem análise prévia da Polícia Federal.

“Esta medida, de caráter absolutamente excepcional, rompe com procedimentos consolidados no direito processual penal brasileiro. Mais grave ainda: ocorre justamente em investigações relacionadas ao Banco Master, caso no qual o próprio Ministro Toffoli avocou para si as investigações e decretou inexplicável sigilo sobre elementos cruciais”, afirmou Girão.

Para sustentar o pedido, o senador cita reportagens que indicam vínculos indiretos entre o Banco Master e empresas ligadas a parentes do ministro. Segundo a Folha de S.Paulo, o Arleen Fundo de Investimentos teve participação no resort Tayayá até 2025 e também realizou aportes em uma incorporadora que tinha um primo de Toffoli como sócio.

As conexões envolvem uma cadeia de fundos de investimento. O Arleen teria sido cotista de um fundo que recebeu recursos de estruturas apontadas pelo Banco Central como parte da suposta rede de fraudes envolvendo o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.

Apuração do Estadão indicou ainda que a sede de uma empresa relacionada ao caso estaria registrada em uma casa no interior de São Paulo onde reside a família de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro e apontado como diretor-presidente da companhia. Procurada, a cunhada de Toffoli negou envolvimento do marido com o resort.

O Tayayá é tratado por funcionários como “o resort do Toffoli”, embora a família do ministro não conste mais formalmente como proprietária. Em fevereiro de 2025, a participação ligada a parentes do magistrado foi vendida por cerca de R$ 3,5 milhões.

As cotas foram adquiridas por uma holding do advogado Paulo Humberto Barbosa, que já atuou para empresas do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Antes disso, parte da participação havia sido vendida a um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade