Gilmar agenda julgamento do marco temporal após demarcações de Lula
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Gilmar agenda julgamento do marco temporal após demarcações de Lula

Gilmar Mendes criticou Romeu Zema no STF e citou a Bíblia ao responder ataques de governadores ao tribunal.
Foto: STF

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Por Redação

STF leva tema ao plenário virtual após decretos de terras indígenas

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), agendou para o plenário virtual o julgamento da ação que discute a constitucionalidade do marco temporal para demarcação de terras indígenas. A decisão ocorreu após o governo Lula anunciar novas homologações e demarcações durante a COP30, realizada em Belém.

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O caso será analisado na ADC 87, que questiona a lei aprovada pelo Congresso Nacional para restabelecer o marco temporal, mesmo após decisão anterior do STF que havia considerado a tese inconstitucional. Se não houver mudança no rito, os ministros poderão registrar seus votos no sistema eletrônico entre os dias 5 e 15 de dezembro.

Entidades representativas de povos indígenas criticaram a escolha do plenário virtual. Defenderam que a análise do mérito ocorra de forma presencial. Alegaram risco de formação de acordos durante o julgamento.

Gilmar Mendes é o relator da ação. O marco temporal, aprovado pelo Congresso, fixa como critério a ocupação das terras por indígenas na data da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988.

O agendamento do julgamento ocorreu dois dias após a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) protocolar petição no STF pedindo a suspensão das novas homologações.

O ministro já havia negado pedido de suspensão da lei e instaurado mesa de conciliação para tratar do tema. Representantes indígenas deixaram o grupo e alegaram que o debate não deveria ocorrer por conciliação.

O governo federal editou decretos para homologar áreas nos estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso, somando 2,45 milhões de hectares. Outras dez terras tiveram demarcação oficializada em estados como Amazonas, Bahia, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Paraná e São Paulo.

Em 2023, o presidente Lula vetou o projeto do marco temporal, mas o veto foi derrubado pelo Congresso. Na Câmara, foram 321 votos contra o veto e 137 a favor. No Senado, foram 53 votos contra e 19 a favor.

O STF já havia rejeitado a tese em julgamento anterior, com placar de nove votos a dois.

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