Gilmar quer Judiciário com controle sobre investigações
Brasília, Domingo, 12 de julho de 2026
Justiça

Gilmar quer controle do Judiciário sobre investigações policiais

Gilmar Mendes diz que prisão de Bolsonaro já estava definida e que tornozeleira acelerou medida no STF
Foto: Fellipe Sampaio/STF

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Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

Na visão do decano, o modelo atual das investigações é um “instrumento de opressão e terror”

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes defendeu a criação de um “estatuto das investigações” para evitar “opressão”. O decano fez a declaração ao comentar a megaoperação no Rio, que deixou mais de 100 narcoterroristas mortos.

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Segundo Gilmar, o “Brasil vive uma anomalia em que a atividade investigativa não tem um marco” legal de investigações, o que leva, na visão dele, a práticas que fragilizam o “Estado de Direito”.

“Nós ficamos com esse modelo de delegacionismo, em que se outorga poderes a quem não deve ter o poder, para que faça investigações de natureza criminal, e isso fragiliza, obviamente, o Estado de Direito. Nós precisamos aprovar essa lei”, afirmou o magistrado na quinta (30), durante sessão do Supremo.

“Se não houver o juiz das garantias, se não houver um controle efetivo sobre a atividade policial e sobre a atividade do Ministério Público no âmbito da investigação criminal, as chances de nós cometermos abusos e de nós violarmos garantias são muito grandes”, continuou Gilmar.

O decano também falou em “caixa preta” para descrever a falta de “transparência” no modelo investigativo atual, onde as investigações ocorrem sem controle judicial: “Nós precisamos acabar com essa ‘caixa preta’ das investigações, que se desenvolvem hoje no Brasil. Elas se desenvolvem longe do juiz, sem controle do juiz, sem controle do tribunal. Isto é um déficit democrático”.

Para Gilmar, a ausência do estatuto e do controle judicial transforma a investigação, que deveria ser um instrumento legal, em um “mecanismo de opressão”.

“A investigação é um instrumento de opressão, é um instrumento de terror, e isso não pode ser a tônica do nosso sistema. Então, eu sou um defensor da aprovação desse estatuto da investigação criminal, porque ele é que vai dar o balizamento para toda a atividade”, concluiu.

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