Gilmar, Alcolumbre e os "pigmeus morais" - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Gilmar, Alcolumbre e os “pigmeus morais”

Alcolumbre alimentou o monstro que agora o devora
Alcolumbre alimentou o monstro que agora o devora

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Por Claudio Dantas

Davi Alcolumbre está chateado com Gilmar Mendes e até leu uma nota de repúdio à decisão monocrática que restringiu o poder de pedir impeachment de ministros ao PGR. Da Mesa Diretora do Senado, disse que recebeu “mensagens de parlamentares indignados e perplexos com mais uma decisão de magistrado do STF tentando usurpar decisão do poder Legislativo”.

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É a segunda nota de repúdio em menos de 24 horas, considerando que ontem mesmo ele reclamava de Lula por não ter enviado a mensagem de indicação de Jorge Messias ao Senado, obrigando-o a suspender a sabatina marcada para o dia 10. Falou em “omissão grave e sem precedentes” e em “interferência no cronograma da sabatina, que é uma prerrogativa do Legislativo”.

É irônico, pois Davi reagiu a Lula por causa da rejeição do nome de Rodrigo Pacheco, que, quando presidente do Senado, sentou-se em cima de todos os pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e cia. Ou seja, Davi queria no Supremo seu amigo, que atuou contente para a consolidação da juristocracia que agora cobra seu preço e humilha a todos.

Bem provável que comemorasse a nova atribuição exclusiva da PGR, caso a decisão viesse da caneta de Pacheco, se ministro fosse. O problema para senadores dessa laia não é o Supremo usurpar o poder do Legislativo, mas fazê-lo sem entregar alguma contrapartida, sem combinar antes, sem ‘sócios’ no crime. A questão é que os donos do poder não precisam de sócios.

Há dois anos, Gilmar deixou isso bastante claro ao chamar os parlamentares de “pigmeus morais” e dizer que “não se brinca de impeachment”. “Isso é uma medida séria e é preciso ser tratado por gente séria (…) impedindo que acusações mambembes turvem a independência judicial, cânone inafastável do estado democrático de direito”.

Gente séria nunca permitiria essa escalada autoritária, não negociaria emendas e cargos, não confraternizaria com ditadores de toga e nem os homenagearia com medalhas.

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