Gaspar diz que vai até o fim contra Lindbergh e Soraya
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Gaspar diz que vai até o fim contra Lindbergh e Soraya

Relator da CPMI afirma que ataque foi coordenado a partir de Alagoas com participação do PT nacional

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), relator da CPMI do INSS, afirmou nesta terça-feira que irá mover todas as medidas cabíveis contra a parlamentar que fez acusações de estupro contra ele durante a leitura do relatório da comissão. Gaspar classificou a deputada como criminosa e disse que não descansará enquanto ela não for “caçada e presa”.

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“Eu não estou nem contra, nem a favor, eu só posso dizer que a relatora do projeto é uma criminosa porque praticou crime contra mim. E eu faço questão de não descansar enquanto isso não chegar ao final, ela não for caçada e presa.”

O parlamentar afirmou que o ataque teve efeito inverso ao esperado. Segundo ele, a repercussão resultou em ganho de 80 mil seguidores nas redes sociais e onda de solidariedade nacional. Para Gaspar, a reação popular demonstrou que a população reconheceu o episódio como “ato baixo” e “coação no curso do processo”.

Gaspar declarou que os danos foram pessoais e familiares, não de imagem pública. Em seguida, afirmou ter certeza de que as acusações fazem parte de um ataque coordenado.

“Eu não tenho dúvida que foi um ataque coordenado, saído de Alagoas, com o PT a nível nacional. Foram seis meses, seis meses de investigação na minha vida, não encontraram nada.”

A equipe deste site apurou, com fontes próximas ao ex-presidente da Câmara Arthur Lira, que ele e Lindbergh Farias tiveram um encontro fora da agenda antes da denúncia feita pelo senador petista.

O contexto ajuda a entender o possível interesse de Lira na operação: pré-candidato ao Senado por Alagoas, ele veria na candidatura de Alfredo Gaspar — que nos bastidores cogita disputar a vaga — uma ameaça direta ao seu projeto eleitoral. A presença de Gaspar na corrida dividiria o campo da direita e do bolsonarismo no estado, enfraquecendo as chances de Lira. O encontro, portanto, se insere numa estratégia para preservar seu espaço político em Alagoas.

Gaspar disse que vai apontar o responsável político pela articulação “mas tudo tem o seu tempo”.

O relator fala em impacto pessoal e “momento mais difícil” da vida pública. Gaspar chegou a dizer que que familiares passaram mal após o episódio e disse estar indignado. “Nunca um parlamentar na história desta Casa sofreu um ataque tão vil.”

Gaspar comenta relatório

Em relação ao seu relatório, o deputado defendeu o critério adotado. Afirmou ter indiciado 216 pessoas — ante 130 do relatório petista —, incluindo nomes de ambos os governos, Bolsonaro e Lula. “Coloquei dois parlamentares federais, deputados, coloquei um senador, coloquei ministro dos dois governos, coloquei o filho do presidente da república, coloquei banqueiros, coloquei empresários criminosos comuns também”, listou. “Eu não tenho bandido de estimação.”

Gaspar explicou por que nomes como Frei Chico e Fabiano Zettel não foram indiciados: faltavam provas documentais. “Eu não posso pegar a notícia de jornal, colar no indiciamento e dizer que foi por ouvir dizer.” Sobre o segundo, declarou: “Eu sei que Zettel é criminoso, eu não tenho a menor dúvida, que ele merece ser preso e indiciado também. Mas eu não posso fazer isso por notícia de jornal.”

Questionado sobre por que o ex-ministro Sérgio Moro não foi indiciado, enquanto Carlos Lupi aparece no relatório, Gaspar respondeu que Lupi “falseou a verdade” perante a comissão e foi responsável pela permanência de Alessandro Stefanutto— apontado como chefe do esquema — no INSS.

Sobre Moro: “Tudo que chegou até ele tomou providências”, disse Gaspar.

O deputado traçou a linha do tempo do esquema: origem no governo Dilma, expansão a partir de 2015 com mudança de entendimento jurídico promovida por Estefanuto, queda nos descontos entre 2019 e 2020, e explosão nos valores entre 2023 e 2024, quando os saques passaram de R$ 600 milhões para a casa dos bilhões.

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