Fux diz que STF deve “decidir não decidir” no Congresso
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Justiça

Fux diz que STF deve “decidir não decidir” em temas do Congresso

Ministro Luiz Fux defende que STF evite julgar pautas do Congresso e diz que excesso de decisões causa “desprestígio” ao Judiciário
Ministro Luiz Fux defende que STF evite julgar pautas do Congresso

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Ministro afirma que Judiciário enfrenta insatisfação por atuar em casos que cabem ao Legislativo

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (29) que a Corte precisa “decidir não decidir” em temas que são de responsabilidade do Congresso Nacional. Segundo ele, a atuação do Judiciário em pautas políticas gera “níveis alarmantes de insatisfação e desprestígio”.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A declaração foi feita durante o Fórum O Otimista Brasil, ao comentar ações que chegaram ao STF, como a contestação do Código Florestal e o pedido de descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação.

Nós devemos desenvolver, dentro do arquétipo constitucional, uma estratégia de decidir não decidir. Uma virtude passiva excepcional. Devolve para o Parlamento. Como nós, juízes, não somos eleitos, não temos preço social para pagar”, disse o ministro.

Fux ressaltou que as decisões sobre temas sensíveis devem caber aos representantes eleitos.

Se todo poder emana do povo e em seu nome é exercido, os representantes do povo estão no Parlamento. São eles que têm que decidir isso, não somos nós”, declarou.

O ministro defendeu também a “deferência ao Parlamento”, lembrando que a presunção de constitucionalidade das leis existe porque o Legislativo é “a casa do povo”.

Em um Estado Democrático, a instância maior é exatamente o Parlamento. Nós temos que ter deferência ao Parlamento. Por isso é que há presunção de constitucionalidade das leis, porque o Parlamento é a casa do povo”, afirmou.

Durante o evento, Fux mencionou ainda sua antiga ligação com Leonel Brizola, dizendo que era visto como um magistrado de centro-esquerda, mas que juízes não devem ter alinhamento político.

Lá atrás, eu sempre fui ligado ao meu querido amigo Leonel Brizola. E o meu tribunal me considerava de centro-esquerda. Costumo dizer que, de direita, só a mão que eu escrevo. Mas um juiz não tem viés político”, declarou.

No mês passado, Fux foi o único ministro da Primeira Turma do STF a votar pela absolvição do ex-presidente Jair Bolsonaro e da maioria dos réus na ação penal sobre tentativa de golpe de Estado.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade