Ministro do Esporte mantém cargo apesar de pressão do Centrão; governo evita rápidas substituições e sinaliza cautela diante da força da federação União Brasil–PP no Congresso
Diante do agravamento da crise entre o governo federal e os partidos do Centrão, o ministro do Esporte, André Fufuca (PP-MA), adotou um tom desafiador nesta segunda-feira (6) e reforçou publicamente sua aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O gesto ocorre mesmo após o Progressistas determinar que seus filiados deixem os cargos que ocupam no Executivo.
Durante a cerimônia de entrega de 2.837 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, em Imperatriz (MA), Fufuca discursou ao lado do chefe do Palácio do Planalto e fez declarações enfáticas de apoio ao presidente.
“Eu estou com o Lula do Bolsa Família, do Vale Gás, do Pé de Meia, o Lula do Mais Médicos, do Mais Renda, do Fies, do Prouni (…) O Lula que falou em alto e bom som para os Estados Unidos: respeite o nosso Brasil”, disse o ministro. “Pode ser que em 2026 o meu corpo esteja amarrado, mas a minha alma estará livre para ajudar Lula a ser presidente do Brasil”, completou.
A presença de Fufuca no evento e, sobretudo, o tom do discurso, foram interpretados como uma afronta direta à cúpula do PP. O prazo estipulado pelo Centrão para o desligamento de seus representantes no Executivo venceu novamente no último domingo (5), sem qualquer mudança efetiva na Esplanada.
Outro caso semelhante é o do ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil-PA). Embora tenha protocolado uma carta de demissão em setembro, permanece no cargo até hoje. Recentemente, ele participou de compromissos oficiais relacionados à organização da COP30, que será sediada em Belém (PA).
Tanto Fufuca quanto Sabino são apontados como pré-candidatos ao Senado em 2026 e trabalham para manter o apoio do Planalto em suas bases eleitorais. No entanto, a insistência em permanecer nos ministérios pode ter um custo político. No caso de Sabino, há risco de perda do controle do diretório estadual do União Brasil no Pará. Já Fufuca pode enfrentar represálias semelhantes no diretório do PP no Maranhão.
Dentro do governo, há uma percepção de que ambos estão sendo tratados com certo cuidado estratégico. Apesar dos repetidos ultimatos das legendas, o Planalto ainda não sinalizou claramente substituições para os cargos ocupados pelos dois ministros. Essa cautela reflete também o peso político do Centrão no Congresso Nacional, já a federação União Brasil–PP é hoje uma das forças mais influentes — com 109 deputados e 15 senadores, forma a maior bancada da Câmara e a segunda maior do Senado.
