Centrão inicia desembarque do governo Lula
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Centrão inicia desembarque do governo Lula

Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União) anunciam desembarque do governo Lula
Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União) anunciam desembarque do governo Lula

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Por Claudio Dantas

A Federação União Progressista, que integra o Centrão com União Brasil e PP, decidiu nesta terça-feira (2) desembarcar do governo Lula. Em mensagem aos filiados, exigiu que todos os detentores de mandato renunciem à “qualquer função que ocupem no governo federal”. A decisão atinge diretamente os ministros André Fufuca (Esporte) e Celso Sabino (Turismo), que têm até o fim do mês para entregar seus cargos.

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No comunicado, obtido por este site, a cúpula da Federação alerta que, “em caso de descumprimento” da ordem, aqueles que são dirigentes em seus estados serão afastados automaticamente. “Se a permanência persistir, serão adotadas as punições disciplinares previstas no Estatuto”, o que inclui a expulsão do partido. “Esta decisão representa um gesto de clareza e de coerência. É isso que o povo brasileiro e os eleitores exigem de seus representantes”, conclui a nota.

Os presidentes do União Brasil, Antonio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, se reuniram pela manhã com aliados para consolidar o movimento. A decisão, porém, não implica necessariamente a saída de todas as indicações políticas das siglas da Esplanada.

No União Brasil, permanecem nos ministérios Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Frederico de Siqueira Filho (Comunicações), os dois são ligados ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP), que mantém proximidade com o Planalto. Alcolumbre também indicou Lucas Felipe de Oliveira para a presidência da Codevasf.

O PP mantém influência na Caixa Econômica Federal, comandada por Carlos Vieira, indicado pelo deputado Arthur Lira (AL), que também deverá permanecer no posto. A decisão foi tomada uma semana após Lula cobrar fidelidade de ministros do centrão em reunião ministerial, sugerindo que deixassem o governo caso não se sentissem à vontade em defender a gestão petista.

No encontro, Lula disse não gostar de Rueda e lembrou que a recíproca era verdadeira. Também citou Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, afirmando que o senador não teria votos para se reeleger em seu estado. As falas de Lula levaram o vice-presidente do União Brasil, ACM Neto (BA), a pautar o desembarque do governo em reunião da executiva nacional da legenda, prevista para esta quarta (3).

Já Ciro Nogueira reclamou a aliados de ataques nas redes sociais que, segundo ele, tiveram participação indireta do governo, buscando associá-lo a investigados em uma megaoperação contra o crime organizado.

TODOS PELA ANISTIA

Um dos objetivos imediatos é reunir apoio para o projeto de anistia dos réus do 8 de janeiro e da trama golpista, incluindo Jair Bolsonaro. Versão do texto à qual a reportagem teve acesso prevê a extinção de processos e punições a todos que foram alvos do Supremo  por “manifestações políticas desde março de 2019”, anulando também inelegibilidades daqueles que tiveram direitos políticos cassados.

A anistia só não valerá para quem estiver respondendo por crimes contra a vida. Embora lideranças da oposição digam que apenas os chamados “kids pretos” seriam excluídos da anistia, o Supremo tende a responsabilizar o ex-presidente pelos supostos planos de assassinato de Alexandre de Moraes, Lula e Geraldo Alckmin.

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