Do total a ser ressarcido, ainda faltam mais de R$ 2 bilhões em descontos indevidos de benefícios do INSS
O governo federal devolveu R$ 1,6 bilhão a aposentados e pensionistas afetados por fraudes no INSS, sem conseguir recuperar nenhum valor descontado indevidamente. Até setembro, apenas 43% do total estimado foi ressarcido, e o dinheiro utilizado para os pagamentos ainda não foi identificado, já que nenhum centavo das fraudes foi recuperado desde a sua descoberta.
Segundo a Dataprev, as reclamações registradas apontam que o prejuízo chega a R$ 3,7 bilhões, referentes ao período entre março de 2020 e março de 2025.
A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União haviam estimado inicialmente desvios de R$ 6,3 bilhões. O calendário de ressarcimento foi anunciado em julho, com pagamentos em parcela única.
Entidades mais ressarcidas e desigualdade nos pagamentos
As entidades mais envolvidas, como Conafer, Sindnapi e Amar Brasil, concentraram as maiores devoluções em valores absolutos. Já proporcionalmente, os mais ressarcidos foram os vinculados à RIAAM (70,26%), UNIBAP (70,15%) e SINTRAAPI (69,6%).

Por outro lado, entidades como ABRASPREV, CINAAP e SINTAPI tiveram os menores índices de devolução, com menos de 2% do valor restituído.
Entre maio e setembro, 5,9 milhões de reclamações foram registradas. A maioria citou descontos efetuados sem autorização ou com documentos inválidos. Foram frequentes os casos em que beneficiários declararam não reconhecer as assinaturas ou terem sido enganados durante o processo.
Os dados foram encaminhados pela Dataprev à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que acompanha as investigações.
