França enfrenta greve de 800 mil pessoas contra austeridade
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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França: 800 mil pessoas entram em greve contra cortes no orçamento

500 mil pessoas fazem greves que paralizam França
500 mil pessoas fazem greves que paralizam França

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Por Redação

A França vive um dia de greve geral nesta quinta-feira (18), com manifestações em mais de 250 cidades em protesto contra as medidas de austeridade do governo. O movimento, convocado por sindicatos e apoiado pela esquerda, resultou na prisão de 58 pessoas logo nas primeiras horas do dia. O Ministério do Interior mobilizou 80 mil policiais para monitorar os atos e coibir a ação de grupos violentos.

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A greve, que afeta os setores de saúde, educação e transporte, busca pressionar o novo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, a abandonar os planos de cortes orçamentários e reverter a impopular reforma de 2023 que aumentou a idade da aposentadoria de 62 para 64 anos.

Metroviários do metrô de Paris anunciaram paralização, com apenas linhas autônomas funcionando normalmente. Nas escolas, 45% dos professores do país não deram aulas. Farmacêuticos e fisioterapeutas também se juntaram ao movimento.

As manifestações, que o Ministério do Interior estima ter atraído até 800 mil pessoas, têm uma pauta de reivindicações clara. Os manifestantes exigem mais investimento em serviços públicos, aumento de impostos para os mais ricos e o abandono das medidas de austeridade, como corte nos benefícios sociais.

Uma das principais propostas em discussão é a “taxa Zucman”, que prevê a taxação anual de 2% sobre fortunas acima de 100 milhões de euros. Uma pesquisa recente do instituto Ifop mostrou que 86% dos franceses são favoráveis à medida, o que coloca mais pressão sobre o governo.

O novo primeiro-ministro, Lecornu, enfrenta um desafio político e orçamentário. Ele foi nomeado por Emmanuel Macron após a renúncia de seu antecessor, François Bayrou, que teve seu plano de corte de 44 bilhões de euros rejeitado pelo Parlamento.

A coalizão de centro-direita de Lecornu não tem maioria na Assembleia Nacional, o que o obriga a buscar apoio da oposição para aprovar o orçamento de 2026.

A escolha dele foi criticada entre os partidos de centro-esquerda e esquerda, que estavam prevendo a nomeação de um primeira-ministro a oposição, que formou maioria no Congresso francês após as últimas eleições legislativas.

Apesar de se declarar aberto ao diálogo e ter prometido “rupturas” com governos anteriores, Lecornu já rejeitou a “taxa Zucman”. A federação patronal francesa, Medef, também se opõe à medida e ameaça mobilizar empresários contra o aumento de impostos.

Depois da nomeação, manifestações se espalharam pelo país. Houve confronto com a polícia em diversas cidades, com manifestantes ateando fogo em ônibus e lixeiras nos arredores de Paris e em Toulouse. Em Paris, a polícia disparou gás lacrimogêneo contra jovens manifestantes que bloqueavam a entrada de uma escola secundária.

A oposição tem pedido a dissolução da Assembleia Nacional ou a renúncia de Macron, o que anteciparia as eleições presidenciais de 2027. O líder da esquerda, Jean-Luc Mélenchon, chegou a afirmar que Macron é o “responsável pelo caos”. A líder sindical Sophie Binet resumiu o sentimento das ruas: “O orçamento será decidido nas ruas”.

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