A França amanheceu nesta quarta-feira (10) sob intensos protestos e paralisações em todo o país, um dia após a nomeação de Sébastien Lecornu como novo primeiro-ministro. O movimento, batizado de “Vamos bloquear tudo” e convocado pelas redes sociais, fechou estradas e ruas em Paris e outras cidades, gerando confrontos com a polícia e atos de vandalismo.
Lecornu, ex-ministro da Defesa, foi nomeado às pressas pelo presidente Emmanuel Macron na terça-feira (9), depois que seu antecessor foi reprovado em uma moção de desconfiança no Parlamento.
De 39 anos, Lercornu fez o maior investimento em força militar da história do país. Considerado conservador, ele se juntou ao movimento de centro-direita que levou Macron ao poder e ocupou outros cargos no governo francês. Após a nomeação, o novo primeiro-ministro defendeu o corte de gastos e o diálogo com o Parlamento.
A escolha de Lecornu, um aliado próximo do presidente, gerou insatisfação, especialmente entre os partidos de centro-esquerda e esquerda, que criticam a postura do presidente em não nomear um premiê da oposição, mesmo com a coalizão tendo vencido as últimas eleições sem maioria para formar governo.
O governo mobilizou cerca de 80 mil policiais para conter o movimento. Houve confronto com a polícia em diversas cidades, com manifestantes ateando fogo em ônibus e lixeiras nos arredores de Paris e em Toulouse. Em Paris, a polícia disparou gás lacrimogêneo contra jovens manifestantes que bloqueavam a entrada de uma escola secundária.
Lecornu toma posse oficialmente nesta quarta e terá o desafio de aprovar o Orçamento do governo até o início de outubro, que já foi rejeitado pelo Parlamento da França.
Os manifestantes expressam raiva contra Macron e as políticas de austeridade do governo, com alguns sindicalistas afirmando que “a luta continua” e que “não vão recuar”.
O movimento “Bloqueie Tudo” reflete um descontentamento popular generalizado, sem uma liderança centralizada, e está sendo comparado aos protestos dos “Coletes Amarelos” de 2018.
As autoridades alertam que os protestos podem ser infiltrados por grupos radicais e se tornarem mais violentos. Até o momento, quase 200 manifestantes foram presos em todo o país.
