Flávio aciona STF contra Lula por fala sobre enforcamento
Brasília, Sexta, 12 de junho de 2026
Justiça

Flávio aciona STF contra Lula por fala sobre enforcamento

Senador solicita investigação sobre suposta reunião do governo

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

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Por Redação

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificou nesta semana sua disputa judicial com o presidente Lula (PT) ao apresentar duas medidas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Além de solicitar novas diligências em uma investigação relacionada a uma publicação sobre Nicolás Maduro, o parlamentar protocolou uma notícia-crime contra o chefe do Executivo por declarações feitas durante um evento em Goiás.

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Em petição encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, a defesa de Flávio pediu que a Polícia Federal apure uma suposta reunião convocada pelo governo brasileiro após a prisão de Nicolás Maduro por autoridades norte-americanas, em janeiro deste ano. Segundo os advogados, a produção dessas provas é necessária para demonstrar que o senador não teve intenção de cometer calúnia ao comentar o episódio nas redes sociais.

O inquérito foi aberto após Flávio compartilhar uma reportagem sobre a suposta reunião e escrever em sua conta no X: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo.” A publicação passou a ser investigada pela Polícia Federal por supostamente atribuir crimes ao presidente da República.

A defesa argumenta que a realização de novas diligências pode esclarecer o contexto da postagem e afastar a acusação. O pedido foi apresentado após a própria Polícia Federal negar requerimentos anteriores para aprofundar a investigação sobre o encontro mencionado pelo senador.

Entre as medidas solicitadas estão a obtenção de informações sobre a reunião e a oitiva de diversas autoridades e personagens ligados ao caso. A lista inclui o próprio Lula, a líder opositora venezuelana María Corina Machado, o procurador norte-americano Walter Clayton III e Euzenando Prazeres de Azevedo. Também foram requeridos depoimentos do senador Sergio Moro (União Brasil-PR), do ex-procurador Deltan Dallagnol, dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura e do ex-executivo da Odebrecht Hilberto Mascarenhas.

Os advogados ainda pediram acesso a documentos das investigações e ações judiciais abertas contra Maduro nos Estados Unidos. Os requerimentos aguardam decisão de Moraes.

Paralelamente, Flávio apresentou uma notícia-crime contra Lula em razão de declarações feitas pelo presidente durante evento realizado em Catalão (GO), na semana passada. Ao criticar integrantes da família Bolsonaro por supostamente buscarem apoio estrangeiro contra o governo brasileiro, o petista declarou: “O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, pensem, meditem.”

Na sequência, Lula acrescentou: “Por menos, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado.” A afirmação, porém, foi historicamente incorreta. Quem foi executado pela Coroa Portuguesa foi Tiradentes, enquanto Joaquim Silvério dos Reis recebeu benefícios por colaborar com as autoridades da época.

Para a defesa do senador, a fala teve o objetivo de associá-lo à figura de um traidor da pátria e sugerir uma punição violenta contra ele. A petição sustenta que, diante do atual ambiente de polarização política, as declarações do presidente extrapolam os limites da crítica política e poderiam estimular atos hostis por parte de apoiadores.

O discurso ocorreu em meio à repercussão de um relatório comercial dos Estados Unidos que prevê a possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Na mesma ocasião, Lula também atacou a família Bolsonaro e afirmou: “Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele, e são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras.”

Até o momento, o Palácio do Planalto não se manifestou sobre a notícia-crime apresentada por Flávio Bolsonaro.

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