Grupo de 19 organizações esteve em Washington e Nova York para rebater ações internacionais do parlamentar
O jornalista e empresário Paulo Figueiredo usou suas redes sociais nesta segunda-feira (6) para ironizar a visita de um grupo de ativistas brasileiros aos Estados Unidos. A missão, segundo reportagem do Valor Econômico, teve como um dos objetivos apresentar informações que contrariassem as articulações internacionais do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
“Expliquem ao [Presidente Donald] Trump que o [ex-presidente Jair] Bolsonaro era uma ameaça à democracia, que espalha discurso de ódio, ataca as instituições, que não há lawfare e que o 8 de janeiro foi uma tentativa de golpe! Afinal, ele nunca ouviu essa ladainha antes né? Ah pera, ouviu sim. Sobre ele”, escreveu Figueiredo na rede social X (antigo Twitter).
A publicação faz referência a uma série de compromissos realizados em Nova York e Washington por representantes de 19 organizações da sociedade civil brasileira. Entre elas estão a Ação da Cidadania, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transexuais (ABGLT) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).
A agenda foi organizada pelo Washington Brazil Office (WBO), um think tank que se apresenta como fórum apartidário e independente. De acordo com a entidade, o objetivo da missão foi levar aos EUA “informações confiáveis” sobre a realidade brasileira sob a perspectiva da sociedade civil.
Denúncia da PGR
Em setembro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou uma denúncia contra Paulo Figueiredo e o deputado Eduardo Bolsonaro, ambos atualmente vivendo nos Estados Unidos. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os dois são acusados de coação no curso do processo, por supostamente articularem medidas de pressão internacional contra autoridades brasileiras, com o objetivo de proteger o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O MPF aponta que eles usaram redes sociais, declarações públicas e até mesmo material obtido em celulares apreendidos para sustentar uma campanha contra instituições nacionais, especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF).
Para a PGR, as atitudes dos dois demonstram uma estratégia deliberada para desestabilizar o Judiciário, em especial no contexto da ação penal 2.668, que trata da tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
