Falta conversa entre o governo Lula e o agro, diz ex-ministro do PT - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Falta conversa entre o governo Lula e o agro, diz ex-ministro do PT

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Por Redação

O governo Lula tentou apagar mais um incêndio com o agronegócio ao editar uma Medida Provisória (MP) que liberou R$ 4,1 bilhões para subsídios do Plano Safra 2024/2025, após a suspensão abrupta das linhas de crédito pelo Tesouro Nacional. A crise, detonada pelo atraso na aprovação do Orçamento de 2025, gerou forte reação negativa do setor, obrigando o governo a correr para minimizar o desgaste.

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O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, que chefiou a pasta no primeiro governo Lula, vê a crise como reflexo da falta de diálogo. “Falta conversa. Falta uma busca por entendimento”, disse em entrevista ao Metrópoles. “Chamem as lideranças rurais para uma reunião, vamos encontrar uma solução! Onde está o problema? É o crédito? A renda? O Seguro Rural? São estradas e ferrovias?”, afirmou em entrevista ao Metrópoles.

Rodrigues, que coordena o Centro de Agronegócio da FGV e é embaixador da FAO para o Cooperativismo, alertou para o impacto do tarifaço imposto por Donald Trump sobre produtos importados, incluindo o Brasil. Para ele, uma guerra comercial entre potências pode “mudar profundamente” a geopolítica global. “Se o Trump mantiver essa política de taxar vizinhos como Canadá e México, ou a China, pode haver uma reconstrução das barreiras tarifárias muito maior do que temos atualmente”, disse.

Sobre a relação entre Lula e o agro, Rodrigues vê resistência devido ao histórico petista. “O governo Dilma foi um desastre para a agricultura. Bolsonaro acabou com burocracias ambientais e trabalhistas que atormentavam o setor, o que fez os produtores se tornarem pró-Bolsonaro.” Para ele, o conservadorismo cresce: “A eleição mostrou um Brasil conservador, inclusive entre eleitores de Lula que hoje se arrependem”.

Rodrigues avalia que a agricultura sozinha não elege um presidente, mas tem peso dentro do conservadorismo. “A agricultura não elege ninguém no Brasil, mas o conservadorismo tem uma força que se revelou fortemente em 2022.” Ele também critica a perda de poder do Ministério da Agricultura sob Lula. “O ministério perdeu força. Tiraram agricultura familiar, meio ambiente, pesca, Conab e outros instrumentos. O ministro Carlos Fávaro é bom, mas perdeu influência.”

O ex-ministro ainda destacou que o crescimento do agro se deve à tecnologia, empreendedorismo e políticas públicas eficazes, mas teme que a nova safra enfrente desafios com juros altos e descapitalização. “O dinheiro será mais curto e mais caro. Vamos ter uma produção

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