O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, iniciou conversas reservadas com ministros da Corte para discutir os possíveis impactos das investigações envolvendo o Banco Master e seu fundador, Daniel Vorcaro. O movimento ocorre após revelações sobre a proximidade do empresário com integrantes do tribunal.
Segundo o portal Poder360, Fachin procurou os colegas para avaliar os desdobramentos do caso e discutir medidas que preservem a credibilidade institucional do STF. A Corte atualmente conta com dez ministros, já que a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025, ainda não foi preenchida.
Entre os magistrados com quem Fachin manteve conversas estão o ministro André Mendonça, que passou a conduzir o inquérito sobre o banco, e Alexandre de Moraes. A esposa de Moraes, a advogada Viviane Barci, recebeu R$ 80,2 milhões do Banco Master ao longo de 22 meses por serviços prestados à instituição.
Nos bastidores, Fachin tem defendido que o tribunal adote medidas voltadas ao reforço da transparência e da conduta ética dos magistrados. O ministro avalia que as investigações sobre o banco intensificaram críticas públicas ao Judiciário justamente no momento em que ele passou a defender a criação de um código de ética específico para os integrantes do STF.
A elaboração da proposta ficou sob responsabilidade da ministra Cármen Lúcia, que assumiu a relatoria do tema na abertura do ano judiciário de 2026, em fevereiro. A expectativa é que o texto seja previamente negociado entre os ministros e, posteriormente, submetido a votação em sessão administrativa do plenário.
Paralelamente, Fachin tem reforçado publicamente a necessidade de ampliar a confiança da sociedade no Judiciário. Em reunião realizada na terça-feira (10) com presidentes de tribunais de todo o país, o ministro afirmou que a magistratura precisa enfrentar o que classificou como uma “crise de confiança pública”.
“Não temos o voto. Temos a razão da lei. E exatamente por isso não podemos jamais abrir mão de fundamentar nossas escolhas, de justificar nossas decisões. Elas devem ser escrutinadas amplamente, com toda a transparência”, afirmou.
O encontro reuniu dirigentes de tribunais superiores e de segunda instância para discutir os desafios institucionais do Judiciário. Entre os temas citados por Fachin estão a morosidade processual, a governança do sistema de justiça, a confiança pública nas instituições e as controvérsias sobre remuneração da magistratura.
Nesse contexto, o STF também deverá analisar ainda neste mês processos relacionados aos chamados “penduricalhos”, benefícios pagos a magistrados além do teto constitucional. O julgamento de mérito está previsto para 25 de março e deve unificar diferentes ações com repercussão geral sobre o tema.
