Fachin discute no STF impacto do caso Master
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Fachin discute no STF impacto do caso Master

Presidente da Corte conversa com ministros sobre investigações e reforça proposta de código de ética para o tribunal

Foto: Antonio Augusto/STF

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Por Redação

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, iniciou conversas reservadas com ministros da Corte para discutir os possíveis impactos das investigações envolvendo o Banco Master e seu fundador, Daniel Vorcaro. O movimento ocorre após revelações sobre a proximidade do empresário com integrantes do tribunal.

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Segundo o portal Poder360, Fachin procurou os colegas para avaliar os desdobramentos do caso e discutir medidas que preservem a credibilidade institucional do STF. A Corte atualmente conta com dez ministros, já que a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025, ainda não foi preenchida.

Entre os magistrados com quem Fachin manteve conversas estão o ministro André Mendonça, que passou a conduzir o inquérito sobre o banco, e Alexandre de Moraes. A esposa de Moraes, a advogada Viviane Barci, recebeu R$ 80,2 milhões do Banco Master ao longo de 22 meses por serviços prestados à instituição.

Nos bastidores, Fachin tem defendido que o tribunal adote medidas voltadas ao reforço da transparência e da conduta ética dos magistrados. O ministro avalia que as investigações sobre o banco intensificaram críticas públicas ao Judiciário justamente no momento em que ele passou a defender a criação de um código de ética específico para os integrantes do STF.

A elaboração da proposta ficou sob responsabilidade da ministra Cármen Lúcia, que assumiu a relatoria do tema na abertura do ano judiciário de 2026, em fevereiro. A expectativa é que o texto seja previamente negociado entre os ministros e, posteriormente, submetido a votação em sessão administrativa do plenário.

Paralelamente, Fachin tem reforçado publicamente a necessidade de ampliar a confiança da sociedade no Judiciário. Em reunião realizada na terça-feira (10) com presidentes de tribunais de todo o país, o ministro afirmou que a magistratura precisa enfrentar o que classificou como uma “crise de confiança pública”.

“Não temos o voto. Temos a razão da lei. E exatamente por isso não podemos jamais abrir mão de fundamentar nossas escolhas, de justificar nossas decisões. Elas devem ser escrutinadas amplamente, com toda a transparência”, afirmou.

O encontro reuniu dirigentes de tribunais superiores e de segunda instância para discutir os desafios institucionais do Judiciário. Entre os temas citados por Fachin estão a morosidade processual, a governança do sistema de justiça, a confiança pública nas instituições e as controvérsias sobre remuneração da magistratura.

Nesse contexto, o STF também deverá analisar ainda neste mês processos relacionados aos chamados “penduricalhos”, benefícios pagos a magistrados além do teto constitucional. O julgamento de mérito está previsto para 25 de março e deve unificar diferentes ações com repercussão geral sobre o tema.

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