Após decisão italiana, Fachin defende atuação do STF no caso Carla Zambelli
Brasília, Sábado, 13 de junho de 2026
Justiça

Após decisão italiana, Fachin defende atuação do STF no caso Carla Zambelli

Presidente da Corte diz acompanhar com “preocupação” decisão da Justiça italiana

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin
Foto: Antonio Augusto/STF

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, divulgou nesta sexta-feira (12) uma nota em defesa da atuação da Corte no julgamento da ex-deputada federal Carla Zambelli e afirmou que o processo foi conduzido com “independência e imparcialidade”. A manifestação ocorreu após a Justiça italiana tornar públicos os fundamentos da decisão que suspendeu a extradição da parlamentar.

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No documento divulgado pela Corte Suprema de Cassação da Itália, magistrados apontaram dúvidas sobre a imparcialidade do julgamento realizado no Brasil, especialmente em relação à atuação do ministro Alexandre de Moraes no caso envolvendo a invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Em resposta, Fachin sustentou que todas as etapas do processo respeitaram as garantias constitucionais. “O processo e seus atos transcorreram em estrita observância à Constituição da República, ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e aos compromissos internacionais assumidos pelo Estado brasileiro”, afirmou.

O presidente do STF também declarou que acompanha com preocupação o posicionamento adotado pela Justiça italiana. “A Presidência do Supremo Tribunal Federal acompanha com preocupação a recente decisão proferida pela justiça italiana em matéria relacionada à cooperação jurídica entre os dois países”, disse.

Na nota, Fachin ressaltou que a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República foi aceita por unanimidade pela Primeira Turma da Corte e que a condenação de Zambelli também ocorreu de forma unânime após a fase de instrução processual.

“Após instrução, sempre plenamente observado o devido processo legal, a ação penal foi julgada integralmente procedente pela turma, novamente por unanimidade, inclusive afastando por decisão colegiada a suspeição suscitada”, escreveu.

A manifestação do presidente do STF ocorre após os magistrados italianos apontarem que Alexandre de Moraes teria acumulado funções durante o processo. Segundo a decisão, o ministro atuou simultaneamente como relator do caso e como uma das pessoas diretamente atingidas pelos fatos investigados.

Zambelli foi condenada pelo Supremo a 10 anos de prisão pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. De acordo com a acusação, a ex-deputada contratou o hacker Walter Delgatti para invadir sistemas do Judiciário e inserir documentos falsos, entre eles um suposto mandado de prisão contra Moraes assinado pelo próprio ministro.

Após a condenação, a ex-parlamentar deixou o Brasil e se estabeleceu na Itália, país do qual também possui cidadania. A decisão da Justiça italiana analisou o pedido de extradição relacionado a esse processo. Ainda existe um segundo pedido de extradição em tramitação, referente à condenação de Zambelli por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.

Ao encerrar a nota, Fachin reforçou a posição institucional do Supremo. “A defesa da jurisdição brasileira, da autoridade das decisões judiciais regularmente proferidas e da independência do Poder Judiciário constitui dever constitucional irrenunciável desta Suprema Corte.”

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