Facções expulsam mais de 200 famílias no Ceará em menos de dois anos
Brasília, Segunda, 20 de julho de 2026
Brasil

Facções expulsam mais de 200 famílias no Ceará em menos de dois anos

Os dados foram divulgados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS)
Os dados foram divulgados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Foto: Republicação.

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Relatório policial confirma deslocamento forçado de famílias, fenômeno típico de guerra

Entre janeiro de 2024 e setembro de 2025, o Ceará registrou 219 episódios de expulsão de moradores promovidos por facções criminosas, conforme aponta o Relatório Técnico nº 224/2025, elaborado pelo Núcleo de Inteligência Policial do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) da Polícia Civil do Ceará (PC-CE).

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Os dados foram divulgados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e representam a primeira contabilização oficial desse tipo de ocorrência no Estado.

A capital cearense responde pela maior parte dos casos, com 143 ocorrências distribuídas por 49 bairros. As áreas mais atingidas são Ancuri e José Walter, com 16 registros cada, seguidas de Vicente Pinzón (15), Jangurussu (8), Barra do Ceará (7), Papicu (7) e Canindezinho (6).

Na Região Metropolitana, Maranguape, Maracanaú e Caucaia estão entre os municípios com mais expulsões. O fenômeno também foi registrado no interior, em cidades como Sobral e Quixadá, indicando a expansão da violência para além da capital.

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Disputas de território impulsionam violência

O relatório relaciona o aumento das expulsões às disputas territoriais entre facções, especialmente entre o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP).

Em setembro, os dois grupos realizaram foguetórios em diversos bairros de Fortaleza para marcar a presença em novas áreas de domínio, após mudanças em alianças criminosas locais.

De acordo com o DRCO, a principal motivação das expulsões é o controle territorial, que garante o domínio sobre pontos de tráfico e outras atividades ilegais, como a cobrança de “pedágios” de comerciantes.

SSPDS promete políticas de enfrentamento

A SSPDS informou que o relatório servirá de base para novas políticas de enfrentamento e proteção a famílias deslocadas, com foco em ações integradas de segurança e assistência social.

A pasta pretende intensificar o mapeamento das áreas de risco e fortalecer o apoio institucional às vítimas de deslocamento forçado.

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