Facção tentou tomar controle de cidade no Ceará e intimidou Justiça Eleitoral - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Facção tentou tomar controle de cidade no Ceará e intimidou Justiça Eleitoral

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Por Redação

Em 2 de setembro de 2024, uma ordem disparada por WhatsApp deu início a um plano de interferência criminosa nas eleições municipais em Santa Quitéria, no interior do Ceará. A mensagem, enviada por Rikelme, apontado como braço-direito do líder do Comando Vermelho (CV) no estado, dizia “O chefe amanheceu doido por problema”. O chefe em questão era Anastácio Ferreira Paiva, conhecido como Doze ou Paulinho Maluco, que mandou pichar todos os bairros da cidade com ameaças contra adversários políticos do prefeito José Braga Barrozo, até o fim do dia.

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A operação de intimidação teve como alvo direto o então candidato Tomás Figueiredo (MDB), principal rival de José Braga Barrozo, o Braguinha, que acabou vencendo as eleições, mas foi preso preventivamente no dia 1º de janeiro e teve a chapa cassada em maio deste ano. O prefeito nega envolvimento com o grupo criminoso e recorre da decisão no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE).

As pichações e ameaças tomaram conta do município de 40 mil habitantes. Segundo o Ministério Público do Ceará (MP-CE), a ação foi planejada para garantir o domínio político da facção sobre a cidade.

Eles estavam dirigindo a eleição para colocar no poder seus representantes. Tentavam assumir o Estado de Direito”, afirmou o subprocurador-geral de Justiça jurídico do MP-CE, Plácido Rios.

Ele classifica a ação como um “balão de ensaio”, uma tentativa inédita de controle territorial por meio da política eleitoral.

As investigações conduzidas pelas Polícias Civil e Federal mostram que a facção pretendia instalar um representante seu na prefeitura para facilitar a atuação do crime organizado. Durante o processo eleitoral, até a Justiça Eleitoral foi alvo.

O muro do Cartório Eleitoral foi pichado e, em setembro, um servidor recebeu uma ligação ameaçadora de um membro do CV, que prometeu atacar a unidade e matar os funcionários caso houvesse qualquer medida contra os “manos” da facção. À época, a Justiça ainda não havia tomado nenhuma decisão contra integrantes do grupo, mas as investigações já estavam em curso.

Anastácio, apontado como principal liderança da facção no estado, está foragido. A polícia descobriu que ele reside em uma mansão na Rocinha, no Rio de Janeiro. Desde dezembro de 2024, duas operações foram realizadas para capturá-lo, mas ele conseguiu escapar em ambas.

A escolha de Santa Quitéria para essa demonstração de força não foi por acaso, ela é a cidade natal de Doze. A força da organização ficou evidente quando até discussões sobre tráfico de drogas foram paralisadas durante o período eleitoral, tamanha a intimidação imposta.

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