Brasil é apontado como líder na exportação de imagens pornográficas infantis
A ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos Cristiane Britto afirmou nesta quinta-feira (14) no programa ALive que o Brasil vive um processo de “normalização” da erotização infantil, impulsionado por redes sociais e pela falta de responsabilização. O tema voltou à pauta após a repercussão do vídeo do humorista Felca sobre o influenciador Hytalo Santos.
Segundo Britto, a banalização do conteúdo sexual envolvendo crianças não é recente, sendo normalizado desde os anos 1990 na TV aberta.
“Há anos atrás a gente via crianças (…) dançando na boquinha da garrafa. E isso foi normalizado. Agora a gente vê crianças simulando atos sexuais nas redes (…) e essas pessoas ficam famosas, ganham likes”, disse.
A advogada pontuou que a primeira responsabilidade é das famílias, criticando pais que permitem ou ignoram a exposição dos filhos.
“Os filhos pertencem aos pais e não ao Estado. Onde estão os pais que permitem que crianças sejam erotizadas dessa forma? (…) Mais de 50% dos pais sequer pediram a senha das redes sociais dos próprios filhos”, afirmou.
Ela também defendeu mudanças na lei para coibir a prática, acrescentando que esses criminosos operam com apoio técnico e comercial.
“Não há um tipo penal específico hoje sobre a erotização. (…) Não dá para que um delegado, que um juiz, fique fazendo malabarismo jurídico para conseguir a punição rápida de um pedófilo”, alertou.
Britto lembrou de um episódio constrangedor durante sua atuação no ministério ao saber que o Brasil era o país número um na criação de conteúdo de pornografia infantil.
“Pensem vocês a vergonha que eu tive quando fui representar o meu país lá na ONU, de ouvir que o Brasil era o campeão de exportação de imagens pornográficas de crianças, inclusive de bebês. Nós alimentamos a pornografia do mundo”, disse.
Para ela, é urgente tipificar a erotização infantil e estabelecer regras claras de punição para pais e responsáveis que se beneficiam financeiramente da exposição sexual de crianças.
“Essa vantagem econômica é inadmissível. E se a gente não enfrentar isso agora, a gente vai acabar também normalizando, como a gente fez com a dança na boquinha da garrafa de crianças”, concluiu.
Assista ao programa completo:
