Em depoimento nesta quinta-feira (29), o ex-ministro da Controladoria-Geral União (CGU), Wagner Rosário negou qualquer planejamento para um golpe de Estado por parte da cúpula do governo de Jair Bolsonaro. Rosário admitiu a existência de uma reunião, mas assegurou que o tema “estado de exceção” não foi pauta.
Rosário foi convocado pela defesa de Anderson Torres para esclarecer a participação do ex-secretário de Segurança do Distrito Federal na suposta trama golpista. A denúncia afirma que Rosário participou de uma reunião em que o então presidente Jair Bolsonaro e o tenente-coronel Mauro Cid teriam sugerido ações para reverter o resultado das eleições de 2022.
Rosário confirmou que houve reunião, onde foram tratados diversos temas, principalmente a discussão sobre o processo eleitoral e como as instituições abordariam os resultados. As discussões se concentraram em supostos problemas nas urnas eletrônicas, o que não constatado.
“Não tivemos discussões sobre isso [golpe], apenas sobre possíveis erros e fragilidades nas urnas para saber se o resultado foi correto”. Segundo o ex-ministro, Bolsonaro perguntou se havia erros que comprometessem a legitimidade das eleições. Diante da negativa, não houve insistência.
Sobre a atuação de Torres, na época no Ministério da Justiça, Rosário afirmou que o então ministro não apresentou brechas jurídicas para reverter o resultado da eleição, ao contrário do que sugere a PGR. “Ele falou sobre o trabalho que a PF [Polícia Federal] estava fazendo”, recordou Rosário.
