Estudo diz que investigações comerciais dos EUA atingem 98% da economia mundial
Brasília, Quinta, 16 de julho de 2026
Economia

Estudo diz que investigações comerciais dos EUA atingem 98% da economia mundial

Levantamento aponta que 85 países e Hong Kong são alvo de procedimentos conduzidos pelo USTR

EUA realizaram, nesta quinta-feira (4), um novo ataque contra uma embarcação no Leste do Oceano Pacífico, próximo à costa da América Latina.

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A política comercial dos Estados Unidos não tem como alvo apenas o Brasil. Estudo intitulado “14 Apontamentos sobre a Conjuntura Comercial dos EUA, Brasil e o Resto do Mundo” aponta que investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) alcançam atualmente 85 países soberanos e Hong Kong.

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Segundo o levantamento, elaborado pelo economista Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), os países investigados somam US$ 84,5 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB) nominal, o equivalente a cerca de 98% da atividade econômica mundial fora dos Estados Unidos. Considerando toda a economia global, eles representam aproximadamente 72% do PIB mundial.

Para Troyjo, trata-se de um cenário sem precedentes. “Nunca antes um instrumento unilateral de política comercial dos Estados Unidos alcançou, simultaneamente, economias responsáveis por praticamente toda a atividade econômica mundial fora dos próprios EUA“, afirmou.

O estudo mostra que as investigações atingem praticamente todas as principais economias desenvolvidas e emergentes. Entre elas estão os 27 países da União Europeia, além de Brasil, China, Hong Kong, Japão, Índia, Coreia do Sul, México, Taiwan, Suíça, Noruega e diversos países do Sudeste Asiático.

Os procedimentos abrangem apurações relacionadas a excesso de capacidade industrial, trabalho forçado, propriedade intelectual, economia digital, meios eletrônicos de pagamento, barreiras regulatórias, acesso a mercados e outras práticas consideradas desleais pelo governo americano.

O levantamento afirma que a política comercial dos Estados Unidos passou a desempenhar papel mais amplo do que a proteção da indústria nacional. Segundo o estudo, ela também integra a estratégia americana para fortalecer a liderança tecnológica, ampliar a segurança econômica, reforçar cadeias globais de suprimentos e expandir sua influência geopolítica.

De acordo com Troyjo, a dimensão do mercado consumidor americano amplia esse poder de negociação. Os Estados Unidos importam cerca de US$ 3,7 trilhões por ano, mantendo-se como o maior mercado importador do mundo. O estudo destaca que esse volume supera o PIB nominal da França e também o PIB combinado de todos os países africanos.

O levantamento também aponta que o uso das investigações baseadas na Seção 301 da legislação comercial americana se intensificou durante o segundo mandato do presidente Donald Trump. Atualmente, 85 países e Hong Kong estão submetidos a algum tipo de procedimento fundamentado nesse instrumento.

A divulgação do estudo ocorreu no momento em que os Estados Unidos confirmaram uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. Segundo o governo americano, a medida decorre de investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301, que apontou supostas práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos.

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