Em conversa com Eduardo, Jair Bolsonaro disse ao filho para não criticar publicamente o ministro Gilmar Mendes, com quem o ex-presidente estaria dialogando. “Esqueça qualquer crítica ao Gilmar”, escreveu. Em seguida, ele diz estar conversando com “alguns do STF”e que “todos ou quase todos demonstram preocupação com sanções”.
O alerta para poupar Gilmar veio como resposta a vídeos que Eduardo enviou ao pai por WhatsApp. Embora a Polícia Federal não tenha recuperado seu conteúdo, a dinâmica do diálogo sugere que seriam críticas ao decano da Corte. “Posso compartilhar?”, pergunta a Bolsonaro, com um emoji de riso. “Não”, responde o ex-presidente.
Desde que está nos EUA, o deputado licenciado grava com frequência vídeos para as redes sociais. Após a mensagem, Jair Bolsonaro pediu para falarem ao telefone. As mensagens foram extraídas do celular do ex-presidente, apreendido pela PF por decisão de Alexandre de Moraes, e constam do relatório de indiciamento por suposta coação e obstrução de justiça.
Eduardo alertou Bolsonaro de que “anistia light” afastaria apoio dos EUA
GILMAR E BARROSO POUPADOS
A estratégia de poupar o decano do Supremo seria exposta semanas depois pelo próprio Eduardo e pelo jornalista Paulo Figueiredo, quando da aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes. Ambos disseram nas redes que, por questões estratégicas, tentariam convencer o governo americano a não ampliar as sanções a Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso.
Seria uma forma de manter “a porta aberta”, na busca de uma solução para a crise, com a aprovação da anistia e o encerramento dos inquéritos políticos contra a direita. No STF, porém, não houve eco à suposta concessão. Gilmar chegou a repetir publicamente, no início deste mês, já depois da apreensão do celular de Bolsonaro, que Eduardo comete “verdadeiro ato de lesa-pátria”.
APOIO AO IRMÃO
A relação de Bolsonaro com Gilmar ficou evidente nas eleições municipais de 2024, após o apoio do ex-presidente ao empresário e veterinário Francisco Mendes (União), irmão mais novo do ministro do STF e que elegeu-se prefeito de Diamantino (MT). O PL indicou o vice na chapa de Chico, como é conhecido, e destinou R$ 300 mil do fundo eleitoral para sua campanha. “Isso é histórico, isso é a coisa mais importante para Diamantino, isso já entrou para a história”, afirmou Chico, durante visita de Bolsonaro na campanha.
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