Conversas foram recuperadas no celular do ex-presidente e integram relatório de indiciamento
A Polícia Federal recuperou mensagens enviadas pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nas quais o parlamentar associava a tramitação de uma “anistia light” ao fim do apoio internacional, ainda mais dos Estados Unidos.
As conversas foram anexadas ao relatório que levou ao indiciamento dos dois nesta quarta-feira (20) por coação a autoridades no curso da ação penal da tentativa de golpe de Estado.
Em 7 de julho de 2025, Eduardo escreveu a Jair Bolsonaro: “Se a anistia light passar, a última ajuda vinda dos EUA terá sido o post do Trump. Eles não irão mais ajudar. Temos que decidir entre ajudar o Brasil, brecar o STF e resgatar a democracia OU enviar o pessoal que esteve num protesto que evoluiu para uma baderna para casa num semiaberto”.
O recado foi enviado logo após o presidente americano Donald Trump publicar na Truth Social que Jair Bolsonaro estaria sendo perseguido judicialmente no Brasil.
CONFUSÃO
Eduardo criticava o apoio que o pai vinha dando ao texto alternativo à anistia que tem o apoio de Hugo Motta e Davi Alcolumbre. A proposta, negociada com o Supremo, prevê a redução das penas dos condenados do 8 de janeiro, desde que não estejam envolvidos no tal planejamento de assassinato de autoridades.
Após o alerta do deputado, Bolsonaro orientou o PL a desembarcar das negociações e o projeto não seguiu adiante. No relatório, a PF interpreta erroneamente a fala do deputado licenciado, dizendo que ele estaria defendendo apenas o interesse próprio e do pai.
O relatório ainda detalha que do celular do ex-presidente foram extraídos áudios e conversas com Eduardo e o pastor Silas Malafaia que haviam sido apagados. Esses registros reforçariam, segundo os investigadores, a estratégia de articulação para intimidar ministros do STF e interferir nos processos que apuram a trama golpista.
Além das mensagens, o pastor Silas Malafaia foi alvo de busca e apreensão e conduzido para depor nesta quarta-feira. Para a PF, os elementos colhidos reforçam a tese de que Bolsonaro e seus aliados atuaram de forma coordenada para embaraçar investigações e tentar pressionar o Judiciário.
