A atuação de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, não foi identificada em pelo menos três dos quatro órgãos federais citados em contrato firmado com o Banco Master. O acordo previa atuação “estratégica” diante do Judiciário, Ministério Público, Legislativo e Executivo.
Não há registros de trabalho da advogada no Banco Central nem no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Nesta terça-feira (13.jan.2026), a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) também informou não haver indícios de atuação.
Em resposta a pedido via Lei de Acesso à Informação feito pela jornalista Malu Gaspar, a PGFN declarou que “não foi identificado registro de ingresso” de Viviane Barci em suas dependências em Brasília desde janeiro de 2024, quando o contrato entrou em vigor. O órgão acrescentou que procuradorias regionais, seccionais e escritórios de representação foram consultados e “não foi detectada nenhuma reunião, audiência e ou entrada física” no período informado.
Antes da manifestação da PGFN, o Banco Central e o Cade já haviam informado que não possuem registros de acesso da advogada em suas instalações, apesar de o contrato prever atuação nominal nos dois órgãos.
O vínculo contratual estabelecia que o escritório de Viviane Barci atuaria de forma “estratégica, consultiva e contenciosa” perante o Judiciário, o Ministério Público, o Legislativo e o Executivo. O documento indicava cinco núcleos de atuação, incluindo quatro órgãos do Executivo: Banco Central, PGFN, Cade e Receita Federal.
Assinado em 16 de janeiro de 2024, o contrato previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões, o que totalizaria cerca de R$ 130 milhões até 2027. Segundo os registros informados pelos órgãos, ao menos parte das atividades previstas não teve comprovação formal.
