Como previsto, o ministro Alexandre de Moraes decidiu abrir inquérito para apurar suspeita de acesso ilegal e vazamento de dados fiscais da advogada Viviane Barci de Moraes, sua esposa. A investigação parte da tese de que reportagens recentes da imprensa foram abastecidas com dados repassados por servidores do Coaf e da Receita Federal.
Segundo o site Poder360, as violações teriam atingido o próprio ministro, seu colega Dias Toffoli e a ex-mulher Roberta Rangel, também advogada. O objetivo oficial da investigação, ainda não confirmada formalmente pelo STF, é identificar os autores dos supostos acessos, cujos logs já teriam sido solicitados por Moraes aos dois órgãos.
A abertura do inquérito sigiloso teria ocorrido de ofício e por ocasião do plantão de Moraes no recesso do Judiciário. Após o retorno dos trabalhos em 1 de fevereiro, a investigação poderá ser confirmada com ele, redistribuída ou encaminhada ao próprio Toffoli, por prevenção no âmbito do caso Master — o que teria motivado os acessos ilegais.
DADOS VAZADOS
Nas últimas semanas, dados privados dos ministros e de seus familiares passaram a ser citados em seguidas reportagens na mídia. Houve a divulgação de trechos do contrato que teria sido assinado por Viviane com o Master, no valor de cerca de R$ 130 milhões e detalhes do funcionamento financeiro do escritório.
Foram objeto de matérias ainda negócios de familiares de Toffoli com informações que, segundo o site, só seriam acessíveis pela Receita, que é subordinada à Fazenda, e pelo Coaf, unidade de inteligência financeira hoje ligada administrativamente ao Banco Central. Ontem, o ministro Fernando Haddad foi à imprensa repetir que o caso Master pode se tornar “a maior fraude bancária do país”.
Como mostramos, a política brasileira possui um longo histórico de vazamentos ilegais e investigações destinadas a blindar autoridades. Normalmente, os vazamentos ocorrem como resultado de disputas internas pelo poder, como parece estar ocorrendo agora, num flagrante racha entre Lula e Moraes, até então um aliado seu na blindagem do próprio sistema sob a narrativa de “defesa da democracia”.
Pegue sua pipoca.
