Ex-ministro da Previdência pediu demissão após operação da PF sobre fraudes bilionárias no instituto
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ouve nesta segunda-feira (8) o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi.
Questionado sobre sua saída do governo, Lupi disse que deixou a pasta por causa de uma “campanha política” contra ele. “Ficou insustentável pela campanha política que se fez contra mim”, declarou.
A CPMI é presidida pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG). A oitiva ocorre após Lupi deixar o governo em maio, dias depois da operação da Polícia Federal que investigou os desvios.
Todos os ministros da Previdência dos últimos dez anos foram convidados a depor. Também foram convocados 12 ex-presidentes do INSS.
A investigação aponta que o esquema funcionava a partir da arrecadação das entidades com descontos de mensalidades havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano. O material levou a Polícia Federal a abrir inquérito e foi usado também pela Controladoria-Geral da União (CGU). No total, 38 reportagens do portal foram listadas na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril. A ação resultou na queda do presidente do INSS e do então ministro Carlos Lupi.
Na chegada, o presidente da CPMI afirmou que espera colaboração do ex-ministro. “O que a gente quer é entender por que não foi feito nada até a operação da Polícia Federal”, disse Viana.
Lupi é o primeiro ex-ministro da Previdência a depor na comissão. Outros ex-titulares da pasta e ex-presidentes do INSS ainda serão ouvidos. Desde a instalação, em 20 de agosto, o colegiado já recebeu representantes da PF, da CGU, da Defensoria Pública da União e o advogado Eli Cohen.
A comissão investiga descontos ilegais em aposentadorias e pensões. Segundo estimativas, as entidades envolvidas arrecadaram R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
